O Cinema Sobre Duas Rodas

Matéria de Cinema – Texto publicado originalmente em A ARCA, em 28/02/2007.

Se você acompanha A ARCA, está mais do que careca de saber que qualquer troço é motivo para que o povo aqui da redação saia por aí feliz e contente fazendo listinhas, em um clássico exemplo de Complexo de Rob Gordon (ah, vai dizer que você não lembra de Alta Fidelidade, pô?). E obviamente, a estréia do esperado Motoqueiro Fantasma (2007) nas telonas brazucas nos fez pensar em mais uma relaçãozinha de filmes que envolvem o tema. No caso… filmes de motoqueiros! Ou quase: filmes que falam, de forma direta ou indireta, da arte de sair pelo mundo em cima de uma motoca. Ou no caso de alguns títulos específicos, filmes com alguma cena marcante pelo simples fato de mostrar seus protagonistas em presença imponente em cima de uma motocicleta. Então, chega de enrolação e dê logo uma olhada em nossos escolhidos! Corra para a locadora mais próxima… de moto, de carro, de busão ou “de a pé”! ;-D

• SEM DESTINO, de Dennis Hopper

Claro que o primeiro desta seleção de filmes sobre motocicletas e motociclistas tinha que ser O FILME sobre motocicletas e motociclistas. Se você é um cinéfilo, você deve por obrigação assistir a Sem Destino (1969). Um clássico do cinema sessentista, um símbolo da contracultura norte-americana que marcou uma geração e é cultuado até hoje. Os primeiros minutos desta estréia de Dennis Hopper na direção já são antológicos: Wyatt (Peter Fonda) e Billy (Hopper), cujos nomes remetem imediatamente aos foras-da-lei Wyatt Earp e Billy The Kid, vendem uma certa quantia de cocaína a um sujeito qualquer por uma bela grana e usam o dindim para se livrar de todas as amarras e viajar sem destino e sem pressa pelos EUA em cima de duas Harley Davidson modelo Chopper, com o objetivo de descobrir o que é, afinal, os Estados Unidos. No caminho, encontram um jovem advogado vivido por Jack Nicholson, uma comunidade hippie e uma série de hostilidades e repúdios por parte de populares que não estão preparados para aceitar dois “vagabundos” “barbudos” e “cabeludos” – ou o espírito de revolta e liberdade que eles representam. Sem Destino foi indicado à Palma de Ouro em Cannes, dois Oscars e transformou Born To Be Wild, do Steppenwolf, em hino eterno. De quebra, deu um tapa na cara da hipocrisia ianque e que continua atual, mesmo depois de quase 40 anos.

• O SELVAGEM DA MOTOCICLETA, de Francis Ford Coppola

Um dos mais populares trabalhos de Francis Ford Coppola, em parte por sua incansável exibição nas Sessões da Tarde da vida, O Selvagem da Motocicleta (1983) é na verdade um filme menor do cineasta, tanto tecnicamente falando – visto que Coppola estava no auge de sua carreira, graças a filmes grandiosos como Apocalypse Now e a saga O Poderoso Chefão – quanto em seu resultado final. Sim, é um de seus filmes “menos bons”, mas devemos atentar para o fato de que, em se tratando de Coppola, não existe filme ruim. Filmado propositadamente em preto-e-branco e com um péssimo som (que justifica-se em um momento do longa que não vamos contar para não estragar a surpresa de quem não viu), O Selvagem da Motocicleta acompanha a rotina de um adolescente, Rusty James (Matt Dillon), que vive em uma bucólica cidadezinha, onde nada acontece. Sua mãe fugiu há anos, seu pai bebe, e não há nada que Rusty pode fazer a não ser liderar uma pequena gangue e se meter em confusões. Na verdade, o garoto só espera mesmo ser tão respeitado e amado quanto seu irmão mais velho, chamado de Motorcycle Boy (Mickey Rourke), um rebelde sem causa que saiu da cidade e nunca mais apareceu. Uma das fitas mais intimistas de Coppola, O Selvagem da Motocicleta é um belo, embora muito melancólico, retrato da juventude perdida dos anos 80 que não tinha muito o que buscar e nada podia fazer a não ser ver sua vida ir embora, sem perspectivas – uma idéia refletida em uma metáfora memorável: a visão de um relógio em quase todas as cenas do filme. Vale uma visita.

• RUAS DE FOGO, de Walter Hill

Outro grande clássico da Sessão da Tarde, Ruas de Fogo (1984) naufragou feio nos cinemas, mas conquistou um merecidíssimo destaque quando em seu lançamento em vídeo. Trata-se de uma divertidíssima aventura rodada em tom de fábula, que homenageia sobretudo os quadrinhos dos anos 50 (sim, sério!). Senão, vejam a história: em uma cidade onde nunca amanhece (!) e onde os anos 50 estão notadamente mesclados com o melhor da tecnologia futurista (!!), a lendária e deliciosa cantora de rock Ellen Aim (Diane Lane) é brutalmente seqüestrada por uma gangue de motoqueiros liderada pelo vilãozaço da parada, o nojento Raven Shaddock (Willem Dafoe, excelente no papel). Para resgatá-la, seu namorado e empresário Billy Fish (o sumido Rick Moranis) aciona um mercenário de aluguel, Tom Cody (Michael Paré, um dos “galãs fracassados” mais legais dos anos 80). O que Fish não sabe é que Cody é somente o ex-namorado de Ellen Aim. Assim, Cody une-se a outra mercenária, a violenta McCoy (Amy Madigan) e segue em uma verdadeira odisséia pela cidade para encontrar Ellen Aim e acertar as contas com Shaddock. Ruas de Fogo divide com outro clássico dirigido por Walter Hill, o fabuloso Warriors: os Selvagens da Noite, o posto de “fita de gangues mais legal do cinema”. E como se não bastasse, conta com uma excelente trilha sonora, com destaque para a música-tema, a chiclete I Can Dream About You, de Dan Hartman. Ah, você conhece, pô!

• O EXTERMINADOR DO FUTURO, de James Cameron

Ah, vai… jura mesmo que O Exterminador do Futuro (1984) ainda precisa de qualquer apresentação? Filmaço de ficção-científica que nasceu cult, tranformou-se em clássico com o passar dos anos, virou referência para toda produção que ousassse falar do futuro e ainda gerou uma continuação que é um divisor de águas na forma de se fazer efeitos visuais. Quer mais? Então basta dizer que esta obra-prima de James Cameron finalmente deu respeito ao canastríssimo ator/governador Arnold Schwarzenegger – e também ao próprio gênero sci-fi. Então, somos enviados a 2029, quando o supercomputador Skynet iniciou uma guerra das máquinas contra os humanos que o construíram e quase destruiu o planeta por completo. Quase, pois os humanos, liderados pelo rebelde John Connor, fundaram uma equipe de resistência que conseguiu destruir as máquinas. Prevendo sua derrota, entretanto, a Skynet envia um cyborg, T-800 (Schwarzenegger), ao passado. O objetivo de T-800: matar Sarah Connor (Linda Hamilton), que em breve engravidará e dará a luz a aquele que se tornará John Connor. Os humanos também enviam um sujeito, Kyle (Michael Biehn), cuja tarefa é proteger Sarah. Tem início o caos. E o que motociclismo tem a ver com o banho de sangue empreendido pelo exterminador enquanto não chega a seu alvo? Oras, e como você acha que Arnold Schwarzenegger corre atrás da moçoila? De ônibus? :-D

• AKIRA, de Katsuhiro Otomo

Sim, nós já falamos de Akira (1998), bem aqui nesta matéria. Só que é impossível falar sobre produções que envolvem motociclismo sem citar este impressionante desenho animado que chocou o mundo e ganhou zilhões de fãs (e detratores) nos anos 80, já que sua abertura já traz uma alucinante seqüência de perseguição sobre duas rodas e um de seus personagens principais, o marginal Kaneda, é apenas o líder de uma facção de motociclistas. Kaneda é um dos muitos jovens sem perspectiva que vivem em Neo-Tóquio – a antiga Tóquio, agora devastada pela 3.ª Guerra Mundial. Kaneda junta uma série de marginais para enfrentar o governo e tentar resgatar seu melhor amigo, Tetsuo, seqüestrado por autoridades interessadas em uma particularidade do garoto; o caso é que Tetsuo é dotado de poderes psíquicos e o governo sabe que estes poderes podem ser muito úteis em um caso extremo. Só que os experimentos científicos aplicados em Tetsuo libertam uma fera incontrolável dentro do garoto. Aos poucos, ele torna-se uma ameaça em escala mundial… Este excelente trabalho de Katsuhiro Otomo (o mesmo de Steamboy) não poupou inovações técnicas e violência gráfica para contar sua história, adaptada de seu próprio mangá. O resultado? Um mega-sucesso de bilheteria e um dos banhos de sangue mais violentos do cinema, ainda que em forma de desenho.

• EL MARIACHI, de Robert Rodriguez

A estréia de Robert Rodriguez na direção de longas, o aclamado mexicano El Mariachi (1992), rendeu mais de US$ 2 milhões apenas em solo gringo. Quem aí acredita que a fita custou a mixaria de 7.725 dólares, arrecadados depois que Rodriguez vendeu sua própria casa e submeteu-se a cobaia para remédios contra colesterol? Pois é. Este divertido longa de ação só conseguiu enxergar a luz do Sol porque a Columbia Pictures teve acesso ao material e investiu pesado em sua transferência para 35mm (o filme foi rodado em 16mm) e em uma campanha promocional milionária. Sorte a nossa: El Mariachi, mesmo rodado de maneira beeeem amadora, dá um gás surpreendente à história do Mariachi (Carlos Gallardo) que segue de cidade em cidade à procura de um barzinho qualquer onde possa ganhar uns trocados cantando suas serestas. Quando o sujeito acha que a maré está a seu favor quando chega a um pequeno vilarejo mexicano e logo consegue trabalho, eis que um assassino profissional (Reinol Martinez), caçado por um grupo de traficantes, aparece nas redondezas; não tarda para que espalhe-se a notícia da chegada de um matador vestido de preto e com um estojo de violão cheio de armas… a exata descrição do Mariachi! Obviamente, o pobre seresteiro será confundido com o assassino. Embora a motocicleta da fita dê as caras só em sua ótima seqüência final, onde Carlos Gallardo mostra quem é que manda no pedaço, El Mariachi é a prova concreta e absoluta de que dinheiro pouco importa. O que vale mesmo é a criatividade: com apenas 80 minutos, Robert Rodriguez dá um banho de direção em muito cineasta milionário com uma história rasa, mas divertidíssima! El Mariachi ainda ganhou uma seqüência, o fraco A Balada do Pistoleiro (onde Carlos Gallardo foi trocado por Antonio Banderas), e Robert Rodriguez iniciou uma carreira bastante irregular. Afinal, demorou 13 longos anos para que o diretor entregasse um filme genuinamente BOM e que não seja nhé em momento algum: Sin City, a Cidade do Pecado

• CARO DIÁRIO, de Nanni Moretti

Se você não é um cult-maldito-bastardo como este que vos fala, provavelmente terá ouvido falar pouco a respeito de Nanni Moretti. Bem, o italiano Moretti é somente aquilo tudo que o intragável Roberto Benigni sempre quis ser e nunca conseguiu: um cineasta/ator que transita tranqüilamente e de maneira genial entre gêneros tão antagônicos quanto desafiadores como a comédia (Aprile, 1998) e o drama (O Quarto do Filho, 2001), sem abandonar sua fortes tendências políticas anti-Berlusconi. O esquisitaço Caro Diário (foto, 1993) é bem bacana, mas por favor, não me pergunte o que é esta coisa! Hehehe. O que acontece é que a fita não tem um gênero definido, na verdade não tem nem uma história com começo, meio e fim. É apenas uma colagem de três contos rodados em tom de documentário e protagonizados por Moretti. Em uma de suas tramas, o diretor filma a si mesmo em uma viagem pelas ruas de Roma a bordo de uma pequena Vespa, visitando lugares históricos (como a praia em que Pier Paolo Pasolini foi assassinado), descobrindo histórias e tecendo comentários hilariantes (e ácidos, beeem ácidos) sobre a própria Itália e seus habitantes. Ainda que possa parecer extremamente superficial quando apenas relatado como uma sinopse, esta história de Caro Diário é nada menos que uma brilhante viagem de auto-conhecimento e uma declaração de amor ao país, ainda que Moretti demonstre, o tempo todo, estar muito “p” da vida com os rumos da política local – o que só agravou com a ascensão de Silvio Berlusconi, que está para Moretti como George W. Bush está para Michael Moore. E… puxa, eu quero ter uma Vespinha daquela! :-D

• O ALVO, de John Woo

Além de marcar a estréia em solo ianque do cultuado cineasta cantonês John Woo (o mesmo de hits como Fervura Máxima e Bala na Cabeça), aquele que é chegado em pombas (!), o tosquésimo O Alvo (1993) é também uma demonstração de como Jean-Claude Van Damme tinha tudo para se tornar um bacana astro de filmes de ação, caso tomasse mais cuidado com as escolhas que faz. Afinal, esta bizarra produção de ação mostra o cara em sua melhor forma, na pele de um estivador do cais, Chance Boudreaux (que nome batuta, meu!), que ajuda a pobre advogada Natasha Binder (Yancy Butler) a encontrar seu pai desaparecido. O couro começa a comer quando a dupla descobre que o pai de Natasha morreu nas mãos de uma gangue de lunáticos liderada pelo maligno Fouchon (Lance Henriksen… o Bishop, meu!); a tal gangue tem a mania de contratar mendigos e afins para participar de uma espécie de safári, onde endinheirados pagam pelo prazer de caçar e matar pessoas… e o que pode acontecer quando Chance, um ás em artes marciais, torna-se a mais nova vítima do bando? Muita pauleira, muita pancadaria, muita cena sem sentido! Pois é, O Alvo é recheado de seqüências mal-filmadas e (d)efeitos visuais, mas sustenta-se com seu ótimo humor e com a habilidade fora do comum de John Woo em “poetizar” a violência, bem ao estilo de Sam Peckinpah, o que deixa a fita bem acima da média. Pena que, depois do sucesso de O Alvo (mais de US$ 70 milhões mundialmente), John Woo só tenha feito o mesmo filme várias e várias e várias vezes. Ah, e as malditas pombas estão lá, aqueles ratos com asas. Ugh! Ah sim, e você precisa ver o que o Van Damme faz com sua CG em uma das cenas mais “tensas”!

• A VIDA DE JESUS, de Bruno Dumont

Estranhou a presença de um filme com este título em uma matéria sobre produções que envolvem motocicletas? Não se deixe enganar pelas aparências: A Vida de Jesus (1997), estréia no cinema do hoje aclamado cineasta francês Bruno Dumont e vencedor do Camera D’Or no Festival de Cannes, fala sim sobre Jesus Cristo. Mas de uma maneira bastante metafórica, tanto que é necessário uma boa dose de concentração para encontrar suas semelhanças. Para tanto, Dumont usa a história de um grupo de jovens desajustados em uma pequena cidade do interior da França chamada Bailluel. Entre eles, está Freddy (David Douche), sujeitinho sem pretensões na vida que passa seus dias a passear de moto com seus amigos, a despejar sua raiva em imigrantes árabes e a alimentar um relacionamento absolutamente carnal com sua namoradinha Marie (Marjorie Cottreel). Mesmo sendo apenas mais um no meio de tantos, Freddy, que sofre de epilepsia, é uma pessoa especial – e nota-se que estamos falando de alguém mais, na falta de uma palavra melhor, “evoluído” quando o cara está com sua turma. A pacata vida desta molecada em Bailluel sai da rotina quando Marie envolve-se com um árabe. Com um ritmo lento, por vezes arrastado, e com uma infinidade de cenas de nudez e sexo quase explícitas, A Vida de Jesus moderniza o Novo Testamento para mostrar a sua visão do que é o Cristo, um Cristo que pode e é constantemente traído por seus predominantes sentimentos humanos.

• DIÁRIOS DE MOTOCICLETA, de Walter Salles

Não seria exagero dizer que Diários de Motocicleta (2004), primeiríssima produção dirigida por Walter Salles para um grande estúdio, traz algumas semelhanças gritantes com Sem Destino, o primeiro citado nesta matéria. Senão, veja só: um filme que fala sobre dois amigos que resolvem viajar de moto para explorar um continente e, diante de situações que não compreendem, descobrem a si mesmos durante a jornada. Entretanto, enquanto temos duas Harley Chopper e dois hippies interessados em desmascarar a América em Sem Destino, em Diários de Motocicleta temos uma Norton 500 caidaça e dois amigos que querem viver a América Latina que só conheciam dos livros. E um destes amigos, aliás, é um jovem chamado Ernesto (Gael García Bernal), que algum tempo depois se transformaria em um dos ícones da revolução cubana e uma das figuras pop mais adoradas do planeta, Che Guevara. Engana-se, porém, quem pensa que veremos o sujeito barbudo e usando sua lendária boina aqui: o mote de Diários de Motocicleta é justamente a transformação da ideologia do jovem Ernesto Guevara, e o que o faz transitar de garoto pacato para líder revolucionário disposto a dar sua própria vida para melhorar o mundo. Para muitos, Diários de Motocicleta é o ápice de Walter Salles, desbancando até seu magistral Central do Brasil. Digo apenas que é um filme visceral: lindo, com um roteiro enxuto e um apuro visual de tirar o fôlego. Obrigatório.

• AMIGO É PRA ESSAS COISAS, de Pierre Jolivet

O que dizer de um filme sobre motos… sem motos? Bem, quase isso. Amigo é Pra Essas Coisas (2005), comandada por Pierre Jolivet, é uma comédiazinha francesa simples, curtinha (88 minutos) e direta ao ponto – o que não o torna um filmeco, que fique claro. E aqui, tudo o que abate o pobre bastardo do personagem central, o maluquete Zim (Adrien Jolivet, indicado ao César de ator revelação), é conseqüência de um acidente que o rapaz de 20 anos provocou com sua scooter. Agora, Zim precisa arrumar um emprego registrado no prazo máximo de 10 dias para poder se livrar da prisão. Só que o único emprego que encontra exige que Zim tenha um carro e carteira de habilitação… o que ele não tem. E agora? A ajuda chega na forma de seus atrapalhados amigos estrangeiros, o africano Arthur, a árabe Safia e o marroquino Cheb. Tem início, assim, uma odisséia homérica para Zim arrumar um carro e tirar sua carta em 10 dias. Do contrário, irá para o xilindró. Simples, não? Um quarteto de protagonistas bem competente, um roteiro dinâmico e várias cutucadas na forma altamente preonceituosa que a França lida com seus moradores imigrantes, Amigo é Pra Essas Coisas é um daqueles longas que quebram facilmente o velho paradigma de que “produções da França precisam ser chatos e arrastados”. Para ver e comer uma pizza em seguida.

• DESAFIANDO OS LIMITES, de Roger Donaldson

Pouco visto nos EUA e praticamente ignorado aqui no Brasil, onde ganhou um discretíssimo lançamento em DVD sem passar nos cinemas (apenas em festivais com pouquíssimas sessões), o drama neozelandês Desafiando os Limites (2005) é bem mais contundente do que aparenta. Pô, e alguém aí ainda acredita em um filme sobre um sujeito que nada contra a corrente e desafia meio mundo para poder realizar seu sonho impossível, mostrando que tudo é uma questão de perseverança? Não mesmo. Felizmente, Desafiando os Limites escapa a esta armadilha e agrada bastante. Boa parte de seu carisma deve-se à instigante interpretação de Anthony Hopkins (nosso amigo Hannibal Lecter, saca?), completamente à vontade no papel de Burt Munro, um homem que, em plenos anos 70, sai da Nova Zelândia em direção a Utah, nos Estados Unidos, com a intenção de participar do percurso de Utah Bonneville e tornar-se o homem mais rápido do mundo. Algumas limitações, como a idade avançada e a própria motocicleta, uma Indian dos anos 20 totalmente reformada, podem atrapalhar os planos de Munro. Inspirado em uma história real, a fita de Roger Donaldson (o mesmo do ótimo Treze Dias Que Abalaram o Mundo) foge do convencional e comove com facilidade, graças ao fenomenal trabalho de Hopkins e à simplicidade do enredo, que evita cair em situações melô. Merece uma olhadela.

O CINEMA SOBRE DUAS RODAS

Matéria publicada originalmente em A ARCA, em 28/02/2007
Complemento do especial para a estréia do longa-metragem MOTOQUEIRO FANTASMA (Ghost Rider).

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