Dia dos Mortos

30/05/2010

Matéria de Cinema – Texto publicado originalmente em A ARCA, em 21/07/2005.

…ou: OLÁ, TIA ALICIA!

Em 1985, chega às telas o longa “menos ótimo” da cinessérie zombie idealizada por George A. Romero: Dia dos Mortos (Day of the Dead). Embora seja o filme que menos arrecadou nas bilheterias – custou US$ 3,5 milhões e rendeu apenas US$ 5,8 milhões -, o próprio cineasta não cansa de bradar que este é o seu preferido; opinião compartilhada por boa parte dos fãs ardorosos do diretor. Dando continuidade à “evolução” das fitas anteriores, em Dia dos Mortos o país está totalmente dominado pelos seres macabros. Os poucos sobreviventes resumem-se a cientistas e militares que vivem em bunkers subterrâneos, tentando entrar em contato com possíveis sobreviventes da epidemia em outros estados, pesquisando formas de domesticar os zumbis (!) e de reverter a situação.

George Romero aproveita para alfinetar novamente a política ianque, e aqui seu alvo central é a ausência de limites da ciência – e suas conseqüências. Este ponto toma forma na figura do Dr. Logan “Frankenstein” (Richard Liberty), que representa uma última esperança para a humanidade ao desenvolver o processo de “treinamento” dos mortos-vivos e obter resultados até satisfatórios no defunto Bub (prevendo o processo natural pelo qual o zumbi Big Daddy passa no novo Terra dos Mortos). A questão é que talvez os sobreviventes não consigam concluir seu trabalho a tempo, visto que o estoque de mantimentos está no fim, e um exército de zumbis está perto de conseguir invadir o bunker

O maior trunfo de Dia dos Mortos é o impressionante trabalho do maquiador Tom Savini. Aqui, os zumbis são totalmente realistas, e cada um deles carrega uma maquiagem diferente e muito bem detalhada, com destaque para o aterrorizante cadáver dos créditos de abertura, que não possui mandíbula (credo!). No que diz respeito ao enredo, este é o mais sério, escatológico e pessimista dos três. Dia dos Mortos apresenta também a primeira frase saída da boca de um zumbi: “Olá, Tia Alicia”, proferido por Bub.

E sim, aqui os extras também ganham presentinhos! Além do lendário cachê de um dólar, os figurantes receberam um boné com a inscrição Eu fui um zumbi em “Dia dos Mortos” e um exemplar do jornal que aparece na primeira cena do filme, com a manchete THE DEAD WALK (os mortos andam)…

DAY OF THE DEAD • EUA • 1985
Direção de George A. Romero • Roteiro de George A. Romero
Elenco: Lori Cardille, Terry Alexander, Joseph Pilato, Jarlath Conroy, Anthony Dileo Jr., Richard Liberty, Sherman Howard.
102 min. • Distribuição: Anchor Bay Entertainment.

 

GEORGE A. ROMERO E A TRILOGIA DOS MORTOS
Matéria publicada originalmente em A ARCA, em 21/07/2005
Complemento do especial para a estréia do longa-metragem TERRA DOS MORTOS (Land of the Dead).


Garfield 2

30/05/2010

Crítica de Cinema – Texto publicado originalmente em A ARCA, em 13/06/2006.

Olha, esta crítica será bem rápida MESMO. Porque simplesmente não há o que falar de Garfield 2 (Garfield: A Tail of Two Kitties, 2006), equivocada e desnecessária seqüência da equivocada e desnecessária versão live-action do personagem criado por Jim Davis, aquela que assombrou os cinemas em 2004. Se realmente há alguma expectativa com relação a ISSO, esqueçam: Garfield 2 é um LIXO e ponto final. Dá vontade de sair correndo e se atirar da primeira ponte que aparecer. Aliás, consegue até ser pior que o primeiro. Ugh.

Mas antes de falar sobre a pseudo-fita em si, alguém me responda a uma pergunta que não quer calar: quem foi a “brilhante” mente que teve a “sábia” idéia de que Garfield, o preguiçoso e gorducho gato que adora lasanha e odeia segundas-feiras, é um personagem infantil? NUNCA! O gato é irônico, sarcástico, até dissimulado… Quer dizer então que deve-se ganhar as telas dos cinemas em uma produção voltada às crianças só porque é um bichinho? Quer dizer então que, seguindo esta “lógica”, devemos esperar um longa-metragem infantil estrelado pelo Níquel Náusea? Ele é da mesma espécie que o Mickey e o Topo Gigio, oras! :-P

O problema, diga-se de passagem, não é sé este: além de não ser infantil nem aqui e nem em Timbuktu, Garfield é como o maldito Gatão de Meia-Idade: não foi feito para protagonizar uma história com mais de uma hora de duração! Ele cai bem (e olhe que nem sempre) numa tirinha de jornal com três quadrinhos. E não numa superprodução. Pombas!

Mas já que a burrada está feita – e o pobre bastardo aqui já sofreu as conseqüências de sua existência medíocre assistindo a ISSO -, então fazer o quê? À exemplo do primeiro filme, a história-qualquer-nota de Garfield 2, que bebe bastante na fonte do clássico O Príncipe e o Mendigo, é somente uma desculpa furreca e esfarrapada de mostrar o gato, novamente dublado por Bill Murray, e seu simpático amiguinho Odie, o cão (que, mais uma vez, é só o que se salva), em situações engraçadinhas – mas só para as crianças. Talvez, arrisco dizer, nem para elas. Hunf. :-P

O enredo (cof, cof) é assim: Jon Arbuckle (o esforçado Breckin Meyer, de Herbie – Meu Fusca Turbinado) está prestes a pedir em casamento sua singela namorada, a veterinária Liz (Jennifer Love Hewitt, aquela que você sabe o que fez no verão passado, péssima como sempre). Antes que ele consiga fazer o pedido, porém, ela viaja a Londres para participar de uma palestra. Obviamente, Jon vai atrás dela – queria eu ter dinheiro sobrando pra viajar à Inglaterra a hora que eu quisesse atrás de mulher, viu? Enfim, Jon embarca a Londres atrás de Liz e, como era de se esperar, o enciumado gato e o simplório cachorro partem para a Inglaterra atrás de Jon.

A confusão começa quando Garfield é confundido com Prince (dublado por Tim Curry, de Rocky Horror Picture Show), um gato que acabou de receber uma gorda herança de sua falecida dona – e que está sendo caçado pelo cruel sobrinho da véia, o Lorde Dargis (Billy Connolly, de Desventuras em Série, numa participação esforçada porém patética) que, além de odiar os animais naturalmente, quer dar cabo no bichano para papar a fortuna – sério, eu ajudava sem pensar duas vezes e não pedia um centavo em troca…

Enfim, é claro que Jon encontrará Prince que achará que ele é Garfield, enquanto este usufruirá de todas as regalias ao qual (o herdeiro) tem direito… Resumindo: pouco mais de uma hora recheada de situações estúpidas, diálogos toscos (em certo momento, Garfield diz que adoraria que “Jon fosse uma rainha”…) e um CGI tão falso quanto o utilizado em seu antecessor.

Aí é que tá: analisando em termos de estrutura de história, Garfield 2 é praticamente uma cópia do primeiro, já que usa um fiapinho de trama pra despejar uma pá de pseudo-piadas bobas. O problema é que as poucas tiradas que funcionaram no primeiro, aqui não funcionam de jeito algum. Culpa do roteiro horroroso e da direção medíocre de Tim Hill, que provavelmente acha que botar o gato rebolando e imitando a batidíssima dança de Pulp Fiction infinitas vezes durante a projeção é o suficiente para realizar um bom filme infantil. Impossível acreditar que Hill é o mesmo que co-escreveu o hilário longa-metragem do Bob Esponja!

Junte neste engodo a falta de química entre Breckin Meyer e Jennifer Love Hewitt (que graças aos céus aparecem muito pouco), e a dublagem-em-piloto-automático do relaxado Bill Murray… pronto, eis mais uma bomba! :-P

Pra resumir o lance todo: se você foi tortur… ops, assistiu ao primeiro trabalho do bichano no cinema, você já sofreu o suficiente. É só imaginar as mesmíssimas piadas sem graça da fita anterior, só que agora ambientadas na Inglaterra. Talvez funcione para a criançada – o que acho meio difícil, visto que ultimamente a molecadinha anda bastante exigente (culpa da Pixar… hehehe). Agora… se VOCÊ faz muuuita questão, se VOCÊ precisa ver isto, se VOCÊ é fã do Garfield… aí é outra coisa. Faz o sinal da cruz, peça perdão pelos seus pecados e vai fundo. Mas não diga que eu não avisei! Eu ainda prefiro o bichano nas tirinhas mesmo, e olhe lá. :-P

CURIOSIDADES:

• Das pessoas presentes na sessão, ao menos daquelas que eu consegui reparar, duas dormiram feito bebês. Uma delas chegou a roncar. E como rege a Lei de Murphy, ela estava sentada justamente na fileira à minha frente.

• Não adiantou nada dizer que a crítica seria rápida, pois ficou enorme do mesmo jeito.

GARFIELD: A TAIL OF TWO KITTIES • EUA • 2006
Direção de Tim Hill • Roteiro de Tim Hill, Joel Cohen e Alec Sokolow
Inspirado no personagem criado por Jim Davis
Elenco: Bill Murray, Breckin Meyer, Jennifer Love Hewitt, Billy Connolly, Roger Rees, Tim Curry, Bob Hoskins, Richard E. Grant, Jane Horrocks, Rhys Ifans, Vinnie Jones.
90 min. • Distribuição: 20th Century Fox.


O Lobo

30/05/2010

Crítica de Cinema – Texto publicado originalmente em A ARCA, em 23/06/2005.

Assim como existem algumas histórias verídicas que não parecem fazer muito sentido no cinema – vide o caso de Kinsey – Vamos Falar de Sexo -, há outros acontecimentos reais que pedem imediatamente uma adaptação para as telonas. Este é o caso das desventuras verídicas de Mikel Lejarza, espanhol que, nos anos 70, foi usado pela polícia como agente secreto infiltrado no perigoso grupo terrorista ETA durante a tomada do governo ditatorial do General Franco. Só por esta pequena linha, já é possível imaginar o pusta filmão que poderia sair daí, não é? Ainda mais por falar sobre um tema espinhudo até os dias atuais. Pois é, mas infelizmente não é exatamente o que acontece em O Lobo (El Lobo, 2004), produção comandada pelo diretor francês Miguel Courtois, especializado em longas para a TV.

Não que esta fita policial made in Espanha seja deplorável e possa causar um desejo secreto de tirar uma pestana ou cometer suicídio durante a sessão. O Lobo é um bom filme, com um plot coeso e até interessante. Mas dá a sensação de que o tratamento dado a este pedaço tão importante da história é raso. Pelo teor do enredo, deveria render no mínimo um ótimo trabalho, como curiosamente aconteceu com Kinsey. Irônico, não? Enquanto Kinsey é corajoso e muito bem feito, mesmo não tendo razão para existir, este O Lobo é apenas mais um trabalho de ação como tantos que vemos por aí sendo lançados direto em VHS ou DVD, que poderia e provavelmente passará em branco nos cinemas. Ainda mais em plena época de blockbusters.

Logo na primeira seqüência, percebe-se que a direção de Courtois apenas recicla os zilhões de clichês já esgotados no cinema: um homem armado, correndo desesperado por uma rua e invadindo a residência grã-fina de um casal de idosos. Em seguida, o roteiro volta alguns anos no tempo para contar como o tal elemento chegou até aquele estado desesperador. Clichê? Não, que é isso, quem disse que isso é clichê? :-D

O tal cara em questão é José Maria Loygorri (Eduardo Noriega). Loygorri – ou Txema, como é conhecido pelos amigos – é um trabalhador de uma construção civil, casado e pai de primeira viagem, que acaba preso por ter conexões com um grupo terrorista que acabou de assassinar um homem a sangue frio. O serviço secreto, chefiado pelo obscuro Ricardo (José Coronado), vê em Txema um cara ideal para realizar uma pequena tarefa: infiltrar-se no grupo terrorista – o ETA, ainda em início de formação – para entregar os novos planos da organização. Em troca, o cara ganha um dinheirinho (que ajudará a desafogar sua situação familiar) e ainda sai com a ficha limpa. Txema sabe que terá que abandonar a família, que o odiará caso descubra que ele serve para os inimigos: os aliados da ditadura. Ainda assim, tentado pela oportunidade de melhorar de vida, Txema adota a alcunha de Lobo e infiltra-se no ETA.

Como era de se esperar, o negócio não é tão simples quanto aparenta. Um vez lá dentro, Txema conhece os dois lados da mesma moeda: os integrantes do ETA estão divididos em pequenos grupos. Enquanto alguns, liderados por Asier (Jorge Sanz), desejam abandonar a luta armada e dedicar-se a construir um forte partido político, outros apóiam-se no perigoso Nelson (Patrick Bruel) para defender a permanência das atividades terroristas até que seja proclamada a independência do país. Estes conflitos internos, inclusive, são geralmente resolvidos na base do sangue. À medida que Txema simpatiza com algumas pessoas e cresce gradativamente no conceito dos poderosos do ETA, ele fica cada vez mais dividido entre entregar-se à luta armada para defender seus ideais ou continuar fazendo o joguinho da polícia secreta para livrar seu couro. Pra engrossar ainda mais o caldo, o Lobo apaixona-se pela engajada Amaia (a bela Mélanie Doutey), que aliás, fornece mais do que xuxu na serra, mas isto é apenas um detalhe! :-D

O pepino maior que Txema deverá enfrentar, contudo, ainda está por vir: os chefes militares em Madrid declaram guerra ao ETA depois que os terroristas assassinam o primeiro-ministro Blanco. Ricardo até consegue conter os ânimos da galera, até que o Lobo consiga concluir seus planos de desmantelar a organização. Mas quando a polícia de rua de Barcelona captura o suposto cabeça do ETA, os chefes militares “cancelam contrato” com o serviço secreto e decidem agarrar todo e qualquer membro do grupo terrorista vivo ou morto. E isto inclui Lobo. Cabe à Txema tentar escapar tanto da polícia (que o considera também um terrorista), quanto do serviço secreto (que deseja “queimar arquivo”) e dos sobreviventes do ETA (que a esta altura já conhecem a real identidade do Lobo).

Viram só? História ducaramba! Mas qual o problema, então? Na verdade, quase não há problemas. Como disse antes, O Lobo é um bom trabalho. Um filme correto, dirigido corretamente, com um roteiro certinho e tal. Aí é que está: é tudo tão no seu lugar que acaba tornando-se maçante. O roteiro de Antonio Onetti – experiente roteirista de TV estreando em cinema – não consegue evitar o didatismo da história e preocupa-se mais em não cometer falhas do que ousar tecnicamente. E pra piorar a situação, alguns integrantes do elenco são nada menos que sofríveis, principalmente Mélanie Doutey e Jorge Sanz. Doutey, então, carrega o azar de assumir uma personagem totalmente antipática. Interpretando mal, ainda… :-P

Por outro lado, a película conta com vários méritos, como o competente trabalho de Eduardo Noriega (de dois filmaços com F maiúsculo chamados Abre Los Ojos e Plata Quemada) no papel central – com uma interpretação construída basicamente em cima de olhares e leves expressões de rosto – e as bacaníssimas canções da trilha sonora, que vão desde a psicótica Highway Star, do Deep Purple, até a excelente The Partisan, de autoria do ultra-master Leonard Cohen. Bem, tendo músicas do Leonard Cohen na trilha, até filme do Renato Aragão se salva pra mim! :-D Enfim, os pontos positivos de O Lobo são suficientemente bons para garantir pelo menos uma boa diversão. Pena que, no saldo geral, o diretor Miguel Courtois se entregue a clichês batidos e uma estrutura até de certa forma covarde e termine por deixar escapar uma bela oportunidade de entrar para a história.

Na dúvida, com esta pancada de produções bacanas nos cinemas, é preferível esperar o lançamento em DVD ou alguma exibição na TV a cabo de algum documentário que conte a vida do verdadeiro Mikel Lejarza, que provavelmente deve ser mais emocionante. Ou então fique com Kinsey mesmo, fazer o quê? Pelo menos tem o Henri Ducard no elenco! Deus, eu sou nerd… :-D

CURIOSIDADES:

O Lobo venceu o Goya (o Oscar espanhol) nas categorias Montagem e Efeitos Visuais.

• O verdadeiro Mikel Lejarza prestou serviços infiltrado no ETA entre 1973 e 1975, e foi o responsável direto pela prisão de diversos membros chave e até alguns figurões de alto escalão do grupo terrorista. A real função do ETA era acabar com a ditadura Franco, que interrompia o processo democrático na Espanha. A “Operação Lobo” foi a operação policial de maior êxito contra o ETA em toda a história. Como conseqüência, a organização terrorista sentenciou Lobo à morte, espalhando cartazes com a imagem de Mikel e oferecendo prêmios pela captura do indivíduo. Mikel trocou de identidade, passou por cirurgias plásticas e hoje vive desaparecido. Diz a lenda que até hoje os integrantes do ETA andam com uma bala de revólver extra, destinada exclusivamente para apagar o Lobo.

• Eduardo Noriega é o astro central de Abre Los Ojos, filme que lançou o consagrado e hoje oscarizado cineasta Alejando Amenábar (Os Outros, Mar Adentro). Abre Los Ojos foi refilmado nos EUA por Cameron Crowe e rebatizado Vanilla Sky, e Tom Cruise assumiu o papel de Noriega. E, como diria o Fanboy, “enfraqueceu a amizade”! :-D

• Outro longa protagonizado por Eduardo Noriega é o aterrorizante A Espinha do Diabo, dirigido por Guillermo Del Toro, o homem forte por trás da versão para as telas das (des)venturas do carismático Hellboy.

• Jorge Sanz é o astro de Sedução, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano. Sanz atuou neste filme com Penélope Cruz, que fez par com Noriega em Abre Los Ojos.

EL LOBO • ESP • 2004
Direção de Miguel Courtois • Roteiro de Antonio Onetti
Elenco: Eduardo Noriega, José Coronado, Mélanie Doutey, Jorge Sanz, Patrick Bruel, Santiago Ramos.
123 min. • Distribuição: Paris Filmes.


007 Cassino Royale

24/05/2010

Crítica de Cinema – Texto publicado originalmente em A ARCA, em 12/12/2006.

Não é exagero algum dizer que 007 Cassino Royale (Casino Royale, 2006), novo longa estrelado pelo glorioso agente secreto a serviço de sua majestade James Bond, é de longe o mais polêmico de todos os 21 filmes do personagem já lançados até hoje – isto, claro, sem contar as produções extra-oficiais. E não é preciso dizer por qual razão a controvérsia rolou solta quando pipocaram os primeiros anúncios acerca da película… “Daniel Craig como Bond???”. Pois é. É bem provável que a Via Láctea inteira tenha detestado a idéia insana de colocar aquele sujeitinho tampinha, truculento e com a maior cara de vilão de filme B de pancadaria na pele de um dos heróis (ou anti-heróis, se alguém aí preferir) mais aclamados e desejados da literatura e do cinema. Sabe-se que apenas um único ser humano da face da Terra não viu problema algum no lance – e ainda comemorou. Um ser cujo nickname começa com “Z”, termina com “O” e tem “A”, “R” e “K” no meio. :-D

Tá bom, vai. Eu juro que não vou berrar “EU FALEI, EU FALEI!”. E prometo que não vou pedir que você busque aqui a crítica de Nem Tudo é o Que Parece, para que você, leitor, releia o texto e veja quem não pensou duas vezes em afirmar, num passado muito distante, que Craig seria uma escolha bem adequada para o papel do agente secreto.

Bem, antes de qualquer coisa, vamos falar sobre este negócio do Daniel Craig como 007. Como todos sabem, bastou o ator de Nem Tudo é o Que Parece assinar contrato com a Sony e os protestos começaram. Fãs enfurecidos declararam seu repúdio ao diretor Martin Campbell (responsável por outra divertida fita da cinessérie, 007 Contra GoldenEye) e chegaram ao cúmulo de montar até um website chamado CraigNotBond, onde tentaram dar início a um boicote. Não curtir o cara, ainda vai, mas… boicote? Coisa de quem precisa de um emprego, não é? O troço piorou ainda mais quando saíram as primeiras imagens e o primeiro trailer de Cassino Royale: muita gente, muita gente MESMO, reclamou do excesso de cenas de ação e pirotecnia, algo que realmente destoa do universo de Bond.

O que eu tento explicar a qualquer um que reclame da escolha de Craig na minha presença, é que o James Bond escolhido para Cassino Royale é atípico, diferente e distante do padrão, mas isto é proposital. Porque a história de Cassino Royale, do livro e do novo filme, é atípica, diferente e distante do padrão. Todo mundo sentou a toba no ator e ninguém se preocupou com o fato de que a trama é, em suma, bem diferente do 007 habitual, daquele que conhecemos dos filmes de Sean Connery, de Roger Moore… E é de fato muito suspeito ver tantos ditos “fãs” por aí que simplesmente ignoraram ou não conhecem um detalhe tão importante.

Tá, mas qual é esta diferença, afinal? Bem, a esta altura, todo mundo já sabe que Cassino Royale foi o primeiro romance protagonizado por Bond, escrito por Ian Fleming nos primórdios dos anos 50. O livro é o princípio de tudo, aquele que mostra o espião em sua primeiríssima missão como 007. Como os direitos autorais deste romance foram guardados a sete chaves por Fleming durante um longo tempo, os produtores das adaptações cinematográficas das aventuras de James Bond não puderam colocar em prática a idéia de transformar Cassino Royale em primeiro filme da série – posição que ficou com o bacana 007 Contra o Satânico Dr. No. Então, a trama funciona aqui como um prequel, embora não seja declaradamente um reset na cinessérie.

Enfim, por ser a primeira missão com sua notória licença para matar, por ser praticamente o primeiro contato do agente com aquele mundinho que se transformaria, mais tarde, em seu “próprio abismo infinito” (não entendeu a referência? Assista Hora de Voltar, pô! Hehehe), é natural que a trama apresente um protagonista ainda acostumando-se com sua posição. Simplifiquemos desta forma: o 007 de Cassino Royale está aprendendo a domar seus próprios passos. Comete muitos erros, tem um ego maior do que a orelha do George Lazenby (!), empolga-se quase sempre, só quer saber de ação e mais ação, leva alguns tombinhos, aprende a se levantar e, à medida que a projeção da fita se desenrola, o sujeito começa a aperfeiçoar-se, a controlar seus instintos, até chegar à sofisticação, ao controle físico e emocional e à maturidade do 007 que nós conhecemos de outros filmes.

Esclarecendo este ponto, vamos à pergunta: Cassino Royale é bão ou não é bão? Hummm… Se eu disser que estamos falando de um dos melhores exemplares da franquia, você acredita? Então tá, digamos que esta fitinha calará a boca de muita gente. PRONTO, FALEI!

Sim, sim. Martin Campbell realizou um filmaço de ação e de espionagem que, considerando tudo o que comentei acima, compete pau a pau com as fitas mais legais de James Bond. Aqui, há espaço para tudo: há a ação desenfreada, há os momentos de perseguições alucinantes, há toda a cafajestagem do indivíduo com relação às criaturas do sexo feminino, há uma boa dose de humor… e há também todos os elementos que caracterizam o universo de 007. Bond-Girls, vilões alucinados e com planos de dominação mundial, aliados importantes, bugigangas, carrinhos bonitinhos e muito caros (!). E há Daniel Craig que, desculpe, realmente é a escolha perfeita para viver o papel. Talvez seja até mesmo o melhor Bond que o cinema já viu. Sabe por quê? Porque de todos eles, inclusive de Sean Connery, Craig é o melhor ator fora de 007. Ele é o que melhor transpõe para a tela, sem exagerar um milímetro na dose e sem ridicularizar seu papel, que James Bond é o que é hoje justamente por esmagar seus sentimentos, e não por sofrer da ausência deles.

Antes de qualquer coisa, o enredo. Bem, Bond acabou de ganhar sua licença para matar e está nítidamente DOMINADO pela sede de aventura, de poder – o que deixa sua chefe, M (Judi Dench, ótima como sempre), com os nervos à flor da pele. É engraçadíssimo, aliás, notar que, em todas as suas aparições, M está furiosíssima e só quer saber de soltar os cachorros em cima do cara! Hehehe. E com razão: o cara é convencido demais e só arruma confusão para o lado da chefona. Só para citar um exemplo, uma investigação em Madagascar, que deveria ser discreta, termina com uma aterrorizante perseguição em cima de um guindaste a metros e metros de altura, uma explosão e muitos feridos. Em uma cena seguinte, entendemos que o ego e a gana de ação não permite que Bond entre silenciosamente na sala de segurança de um hotel para achar gravações de rotina: ele precisa destruir um carro no estacionamento para desviar a atenção de todos – missão esta, por sinal, que não fora autorizada pelo MI6. Assim é o sujeito, vai vendo bem.

Enfim, a primeira missão de Bond como 007 é seguir a Montenegro, mais exatamente ao famigerado Le Cassino Royale, e jogar pôquer com o banqueiro Le Chiffre (o fantástico dinamarquês Mads Mikkelsen). O caso é que Le Chiffre é nada menos do que o homem que “patrocina” um sem número de terroristas; Bond precisa vencer o meliante no jogo, para que Le Chiffre não embolse uma quantia milionária e a use para financiar diversas organizações terroristas espalhadas pelo mundo. Para garantir o sucesso da missão e evitar que Bond estrague tudo com seu jeitão explosivo, M envia a belíssima agente Vesper Lynd (Eva Green… ai, ai) para acompanhá-lo. E então… bem, é melhor parar por aqui. ;-D

Detalhar a produção é um pecado, acredite. E chega a ser até desnecessário: se você conhece a estrutura narrativa do cinema de 007, sabe muito bem o que irá encontrar aqui. A diferença é que o cineasta Martin Campbell aproveita os intervalos das cenas de ação para explorar o que os outros filmes não ousaram, à exceção de 007 a Serviço Secreto de Sua Majestade: a carga dramática do personagem. Cassino Royale justifica muitas das atitudes tomadas por Bond em suas películas anteriores e destrincha uma série de mitologias. Em dado momento, aprendemos até mesmo como é preparado o Martini que o sujeito tanto adora! :-D

Quando me refiro à carga dramática, entretanto, quero dizer especificamente que finalmente é possível entender o que raios transformou o homem no poço de frieza que ele é, no sujeito aparentemente desprovido de qualquer espécie de sentimentos. Um dos momentos mais marcantes da projeção – e que surpreendentemente deve deixar alguns com lágrimas nos olhos – refere-se ao primeiro bandido que Bond é forçado a matar. Basta um único olhar de Daniel Craig para compreender que aquele evento o transformou naquele segundo, automaticamente, em uma outra pessoa. Sim, é um bandido. Mas é um homem. Um homem morto por Bond e um caminho sem volta. Não é mais uma brincadeira. Pode acreditar: Cassino Royale está repleto de momentos assim. Bem, não poderíamos esperar algo raso quando sabemos que um dos autores do enredo é ninguém menos que Paul Haggis, o oscarizado roteirista de Menina de Ouro e diretor de Crash – No Limite, não é mesmo?

Mas é claro que estes momentos singelos não são o centro da fita. Há uma infinidade de seqüências de pancadaria embasbacantes, e eu particularmente delirei com a fodáxima perseguição de Bond ao terrorista Mollaka (Sebastien Foucan) na Embaixada de Nambutu, uma das cenas iniciais do longa. É incrível o grau de insanidade desta seqüência – para quem não sabe, o francês Foucan é um exímio corredor e um dos criadores do Le Parkour, uma bizarríssima técnica que consiste em correr freneticamente e desviar-se, das formas mais ABSURDAS e HUMANAMENTE IMPOSSÍVEIS, de diversos obstáculos. Sério, só assistindo a esta cena para saber do que Foucan é capaz. As outras cenas de ação também são divertidíssimas, e agradarão aos fãs da série em cheio.

Ah sim: a seqüência de abertura, ao som de You Know My Name, do ex-Soundgarden Chris Cornell, é muito bem-sacada. E a Eva Green está mais linda do que nunca – mas tem adversárias de peso nas figuras de Caterina Murino (como Solange, a infeliz amante de um comparsa de Le Chiffre que não pensa duas vezes em conferir pessoalmente o “armamento” do Bond… – afe, que piadinha horrível) e a eletrizante Ivana Milicevic (como Valenka, uma apetitosa Bond-Girl do mal). Mas confesso que senti muita falta da lendária Gunbarrel – aquela aberturazinha de 20 segundos na qual Bond atira em direção à tela e tudo fica vermelho. A gunbarrel, desta vez, está inserida diretamente na seqüência musical e de uma maneira bem diferente, mas há um sentido para esta mudança.

Na verdade, o grande diferencial de Cassino Royale é que talvez seja o primeiro longa-metragem da franquia com uma dose cavalar de alma. Não estamos falando apenas de uma reinvenção da história de James Bond, mas também de uma fita que ousa apresentar ao público mais do que belas paisagens, belas mulheres e belas máquinas. Agora, o espectador já sabe que James Bond não é apenas um indivíduo com um talento fora do comum para a espionagem e para a galinhagem (hehehe), e sim um homem que, como qualquer ser humano que se preze, já tomou umas cacetadas da vida e fez sua escolha. O resultado final é uma produção que transcende seu rótulo de “entretenimento de férias” para se transformar em um dos filmes mais legais deste final de ano. E de quebra, ainda injeta um novo sangue e uma nova visão no universo do espião mais amado do cinema.

Pois é, ser um dos melhores exemplares de toda a franquia é pouca coisa para quem achou que Cassino Royale seria apenas um 007 com um ator feinho, hein? Hunf. :-/

CASINO ROYALE • EUA/ALE/ING/TCH • 2006
Direção de Martin Campbell • Roteiro de Neal Purvis, Robert Wade e Paul Haggis
Baseado no romance Casino Royale, de Ian Fleming
Elenco: Daniel Craig, Eva Green, Mads Mikkelsen, Judi Dench, Jeffrey Wright, Giancarlo Giannini, Caterina Murino, Sebastien Foucan, Isaach De Bankolé.
144 min. • Distribuição: United Artists.


O Jardineiro Fiel

24/05/2010

Crítica de Cinema – Texto publicado originalmente em A ARCA, em 16/10/2005.

O diplomata britânico Justin Quayle, radicado na África, despede-se de sua esposa, Tessa Quayle, que embarca num avião na companhia de um médico rumo a um povoado. Um corte de cena, e um jeep capota num deserto, sendo invadido em seguida por algumas pessoas, que embrulham um corpo em saco plástico e o carregam consigo. Mais um corte, e Justin, em seu escritório, recebe a notícia de que Tessa fora assassinada.

Estas seqüências juntas, que não duram cinco minutos, formam a absurda seqüência inicial de O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener, 2005), o tão aclamado longa de estréia lá fora de ninguém menos que o brazuca Fernando Meirelles, um dos responsáveis pelo cultuado Cidade de Deus e mais conhecido como “aquela figura que fez um sinal bisonho com os dedos no Oscar passado”. Ao contrário de seu conterrâneo, o camarada Walter Salles – que rodou uma série de longas intimistas e decidiu estrear nos States com Água Negra, uma fita bem comercial -, Meirelles preferiu explorar um terreno mais delicado e, diria eu, até mais perigoso. O resultado? Bem, a fita é realmente muito, muito boa. Sinceramente, não acho que seja a oitava maravilha do mundo, como muitos andam saudando por aí. Mas é, sim, uma película magistral, tanto como thriller de ação, quanto drama romântico. O que diminui levemente o impacto é justamente… Cidade de Deus. Mas hein? o_O

Calma lá, que eu explico. Mas antes, o roteiro: a partir da seqüência inicial, o roteiro de Jeffrey Caine (cujo trabalho mais significativo é o roteiro de 007 Contra GoldenEye) divide-se em duas partes: na primeira parte, volta no tempo e acompanha o relacionamento de Justin (Ralph Fiennes, ótimo como sempre) e Tessa (Rachel Weisz, certamente no papel de sua vida). O comportamento anárquico e “xabuzento” da ativista contrasta com o modo tranqüilão do diplomata apaixonado por botânica, acostumado, por conta do trabalho, a manter a serenidade e o racionalismo em situações tensas. Ainda assim, o romance engata.

O casamento parece sofrer um abalo quando Tessa, que não é “mulher de falar” e sim “de agir”, começa a engajar-se em obscuras causas políticas ao lado do médico keniano Arnold Bluhm (Hubert Koundé). Tessa distancia-se cada vez mais de Justin, e este passa a desconfiar das atitudes da esposa, mas ainda nota-se uma ligação sentimental entre os dois.

Na segunda parte, Tessa está morta. Ao chegar do velório e fuçar suas coisas, Justin descobre evidências que comprovam que a morte de sua esposa pode ter sido nada menos que “queima de arquivo”. O fato é que Tessa descobrira há pouco que dois grandes conglomerados farmacêuticos usavam a população carente dos povoados africanos para testar novos remédios com nível de segurança zero, pouco importando-se com os efeitos colaterais. Ela sabia demais, e provavelmente foi apagada por isto. Dominado pela dor da perda e por um enorme sentimento de culpa, por ter duvidado de sua fidelidade ao matrimônio, Justin decide que é hora de honrar a memória da esposa assassinada e investiga seus últimos passos à procura da verdade.

Ok, este é o enredo. Um pusta de um senhor enredo, diga-se de passagem. E a fita não deixa por menos: a direção sutil e ao mesmo tempo corajosa de Fernando Meirelles entrega cenas de amolecer até mesmo o mais duro dos corações (ou seja, eu!); O Jardineiro Fiel não poupa o espectador, mergulhando fundo na paupérrima situação do povo africano e entregando seqüências bastante difíceis de engolir. Pois é, não pense que você encontrará tomadas belíssimas da África, com o Sol poente ao fundo e um elefante correndo ali no cantinho (!). Aqui, o negócio é mais embaixo. Se você se impressiona fácil, evite a sala de cinema em que O Jardineiro Fiel esteja sendo exibido e procure outra fita pra ver.

O grande acerto da produção, a meu ver, é a excepcional e criativíssima montagem de Claire Simpson (de Platoon) e a escolha do elenco. Enquanto Ralph Fiennes – que não precisa provar pilombas a ninguém depois de seu maravilhoso desempenho em Fim de Caso, de Neil Jordan – entrega um Justin Quayle contido, centrado, mas cheio de conflitos internos e visivelmente prestes a explodir, Rachel Weisz, a mocinha de Constantine, dá um show de interpretação como a impulsiva e guerreira Tessa Quayle. Se dependesse de mim, o Oscar de Melhor Atriz do ano que vem poderia ser antecipado e entregue à indivídua sem maiores pepinos. E ela é linda. Isto não tem nada a ver com o filme, mas ela é mesmo! :-D

Mas como disse lá em cima, O Jardineiro Fiel é um excelente cinema, mas não é perfeito. E seu defeito é justamente o estigma Cidade de Deus. Ou seja, excesso de estilo. Bem, eu até gosto de Cidade de Deus, mas acho que seu grande problema é ser estilizado demais. Tudo bem, Fernando Meirelles têm sua marca própria, mas sempre achei que Cidade de Deus poderia ter sido bem mais impactante se não fosse tão carregado em sua fotografia e tão elétrico em seus enquadramentos de cena. Este é exatamente o mesmo problema de O Jardineiro Fiel: a estética de Meirelles matou boa parte do realismo existente no enredo, o que o tornaria automaticamente muito mais visceral do que já é – e como conseqüência, o transformaria num clássico.

Claro que isto é apenas um mero detalhe: nada que estrague a terrível e incômoda experiência de assistir a O Jardineiro Fiel, somente diminui o tranco. Fernando Meirelles prova que pode ir muito além e que é, sim, um cineasta de muito respeito. Mas como filme-político, ainda acho que O Senhor das Armas é mais desolador. Afinal, enquanto este aqui nos alerta para o lado pobre do planeta e nos diz que somos verdadeiros egoístas, já que podemos fazer muito para melhorar o mundo mas nada fazemos, o longa do titio Nicolas Cage mostra que, infelizmente, só o que podemos fazer naquele caso é assistir – e lamentar.

Tá bom, tá bom! Eu chorei de novo, tá? Duas vezes, pô! :-P

CURIOSIDADES:

• Os espectadores mais atentos encontrarão em O Jardineiro Fiel pelo menos quatro descaradas referências a Cidade de Deus. Um delas, óbvio, é a cena das indefectíveis galinhas correndo de um lado a outro… É o John Woo com pombas e o Fernando Meirelles com galinhas. Que bizarro, isso. :-)

• Originalmente, o inglês Mike Newell seria o diretor de O Jardineiro Fiel. Newell pulou fora ao receber o convite para comandar Harry Potter e o Cálice de Fogo. Melhor assim: alguém aí duvida que o filme perderia todo seu senso de filme-denúncia e se transformaria em mais uma coisa melosa e grudenta, bem aos moldes de A Luta Pela Esperança? :-P

• Ralph Fiennes segurou e operou a câmera em diversas seqüências, com o objetivo de mostrar os fatos pelo ponto de vista de Justin Quayle.

O Jardineiro Fiel foi indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2005. Perdeu o prêmio para O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee.

THE CONSTANT GARDENER • ING • 2005
Direção de Fernando Meirelles • Roteiro de Jeffrey Caine
Baseado no romance The Constant Gardener, de John Le Carré
Elenco: Ralph Fiennes, Rachel Weisz, Hubert Koundé, Danny Huston, Daniele Harford, Packson Ngugi, Pete Postlethwaite e Bill Nighy.
129 min. • Distribuição: Focus Features.