Zombie: O Despertar dos Mortos

Matéria de Cinema – Texto publicado originalmente em A ARCA, em 21/07/2005.

…ou: OS ZUMBIS VÃO ÀS COMPRAS

Quando George A. Romero decidiu retornar ao universo dos mortos-vivos em 1978, dez anos depois do infortúnio dos sete personagens de A Noite dos Mortos-Vivos, o estrago já tinha sido feito: a película tornara-se um objeto de adoração cult e inaugurara o subgênero gore, apoiado em muita sanguinolência e órgãos expostos. Além disso, a fita definiu todas as regras básicas para filmes do gênero zombie, como a lentidão com que os seres se movimentam; sangue, carne humana e massa encefálica como alimento; e destruição do crânio como única forma de destruí-los. E se o diretor conseguiu fazer com que o público usasse fraldinhas em cada sessão do primeiro filme, o que poderíamos esperar de uma segunda parte rodada a cores e com um orçamento um pouco mais inflado (cerca de US$ 1.500.000)?

O resultado podemos conferir em Zombie: O Despertar dos Mortos (Dawn of the Dead, 1978), que não chega a ser uma seqüência direta dos eventos ocorridos na zona rural de Pennsylvania. Aqui, os zumbis estão em número maior, e já dominaram um pedaço considerável da cidade – e, pelo que dá a entender, boa parte também dos Estados Unidos. E desta vez, o palco para a invasão é um shopping-center no centro de Pittsburgh, lugar onde quatro sobreviventes abrigam-se depois de várias tentativas fracassadas de fuga. O mesmo shopping-center transforma-se num “ponto de encontro” dos mortos-vivos sedentos de sangue, que seguem instintivamente para o local. Talvez pela vaga lembrança dos passeios no local, perdida no subconsciente das criaturas, sei lá.

Mais uma vez, Romero aproveita para destilar toda sua ironia no roteiro, e desta vez seu alvo é o consumismo desenfreado da geração materialista dos anos 70: reparem como os quatro humanos parecem preocupar-se mais em desfrutar da “boa vida” dentro do shopping, fazendo uso das roupas, dos aparelhos eletrônicos e de tudo aquilo que têm direito, ao invés de se preocupar com a chegada dos zumbis… Tema bastante oportuno e, queira ou não, totalmente atual. Zombie: O Despertar dos Mortos, porém, inova nas seqüências ainda mais cruéis e viscerais do que no anterior, como por exemplo o ataque das crianças-zumbis. E como esquecer a bizarríssima cena em que um grupo de saqueadores tenta se defender dos mortos-vivos atacando-lhes tortas na cara? Na humilde opinião deste que vos fala, este é ainda melhor do que o primeiro.

Duas curiosidades: aqui, os figurantes receberam um pouquinho melhor. Cada um levou para casa US$ 20, uma lancheira e a camisa Eu fui um zumbi em “Zombie: O Despertar dos Mortos”. Bacana, não? E uma das faixas inseridas na trilha sonora saíram direto de Monty Python e o Cálice Sagrado. :-)

DAWN OF THE DEAD • EUA/ITA • 1978
Direção de George A. Romero • Roteiro de George A. Romero
Elenco: David Emge, Ken Foree, Scott H. Reiniger, Gaylen Ross, David Crawford, David Early, Richard France.
126 min. • Distribuição: Republic Pictures/20th Century Fox.

 

GEORGE A. ROMERO E A TRILOGIA DOS MORTOS
Matéria publicada originalmente em A ARCA, em 21/07/2005
Complemento do especial para a estréia do longa-metragem TERRA DOS MORTOS (Land of the Dead).

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