Os Filmes Essenciais de Brian De Palma

Matéria de Cinema – Texto publicado originalmente em A ARCA, em 01/10/2006.

Se há algum sujeito no mundo que merece ser creditado como o sucessor direto do excelentíssimo senhor Alfred Hitchcock em termos de narrativa, qualidade artística e principalmente em surpreender seu público, este alguém é Brian De Palma. Não há outro diretor na face do universo que tenha sido tão feliz em resgatar todas as exclusivas características dos trabalhos do mestre do suspense e transformá-las em um estilo próprio, particular, hoje reconhecidamente associadas também a seu nome. Ok, não estou dizendo que De Palma é tão fodáximo quanto Hitchcock – ainda mais eu, um fã confesso do gênero. Mas a filmografia de De Palma, nascido em Nova Jersey em 11 de setembro de 1940, é tão marcada por fitas antológicas quanto a própria filmografia de Hitchcock.

A verdade é que, para o cinema de hoje, o nome de Brian De Palma é um nome a se respeitar, e muito. Anos e anos antes que Quentin Tarantino e Paul Thomas Anderson saíssem por aí declarando-se “filhos dos filmes”, título dado a cineastas que usam seus trabalhos para brincar com a estrutura cinematográfica de diversos gêneros através da metalinguagem (transformando seus filmes em grandes “banco de dados de referências nerd“), Brian De Palma já carregava esta fama. Afinal, todos os seus longas-metragens são praticamente enciclopédias de elementos extraídos dos longas hitchcockianos. E o que torna Brian De Palma tão cultuado assim? Justamente o fato de conseguir fugir de “apenas um imitador de Hitchcock” para mergulhar no “produto característico de Brian De Palma”. :-D

Verdade seja dita: a filmografia do sujeito, que dirigiu cerca de 36 longas e curtas-metragens desde 1960, está cheia de equívocos. Por outro lado, não é difícil encontrar títulos que representam, no mínimo dos mínimos, obras deveras significativas para a história do cinema contemporâneo. Não só pelas suas características visuais, como o freqüente uso de câmera lenta, zoom e pirotecnias de enquadramentos de câmera em seqüências-chave, divisão de tela em dois (ou três ou quatro) frames em vários momentos, a ocasional presença de loiras fatais entre os protagonistas, a trilha sonora diretamente chupinhada das composições de Bernard Herrmann. Não só por isto, mas por ser extremamente original nas histórias que conta.

Portanto, aproveitando a chegada aos cinemas de Dália Negra (The Black Dahlia, 2006), apontado pela crítica como um de seus melhores trabalhos (sim, a fita é bem legal), garimpamos o currículo de Brian De Palma em busca de seus filmes essenciais, aqueles que devem por obrigação marcar presença na estante de qualquer cinéfilo. A listinha, composta de 13 filmes – que são na verdade 14, contando com Dália Negra -, está aí embaixo. E se você ainda não se convencer dos méritos de De Palma, há três pequenas curiosidades que lhe fará adorar o cara: seu ator preferido é Sean Penn, ele é grande fã de Bruce Springsteen (tanto que até dirigiu um videoclipe dele, Dancing In The Dark) e é grande amigo de George Lucas – e o responsável pela escolha de todo o elenco da trilogia clássica de Star Wars! Bacana, não? ;-D

1973 • IRMÃS DIABÓLICAS (Sisters)

Este apavorante suspense não é o primeiro trabalho de Brian De Palma na direção de longas – o cineasta já tinha seis curtas e sete longas-metragens no currículo. Mas é considerado por muitos a verdadeira “primeira obra” do diretor. Primeiro, porque é sua primeira incursão no suspense estilizado que dominaria grande parte de sua carreira até então; segundo, porque é sua primeira grande homenagem ao estilo inconfundível de Hitchcock; terceiro, porque inaugurou sua bem-sucedida fase de suspenses que durou até 1984; e quarto, porque aqui Brian De Palma começou a testar efeitos de câmera e montagem que remetem diretamente à filmografia do mestre de suspense – e que mais tarde seria associado diretamente a De Palma. A história fala de duas irmãs gêmeas siamesas separadas no nascimento, Danielle Breton e Dominique Blanchion (vividas por Margot Kidder, a Lois Lane dos filmes do Azulão com Christopher Reeve). Enquanto uma delas é doce e uma simpatia de pessoa, a outra é uma insana serial killer que acaba com a raça de qualquer um que ousar cruzar seu caminho – e também o caminho da irmã… Um filmaço de arrepiar, bem aos moldes do cinema setentista, que traz um final surpresa hoje datado, mas ainda surpreendente.

1974 • O FANTASMA DO PARAÍSO (Phantom of the Paradise)

Esta criativa e de certa forma assustadora variação de O Fantasma da Ópera com toques de Fausto, de Goethe – e que mistura elementos de zilhões de histórias de horror (como Frankenstein) com legítimos exemplares do cinema noir (como A Marca da Maldade) -, tem sua trama focada nas agruras de um homem chamado Winslow Leach (William Finley), compositor desconhecido que vê sua composição mais cultuada ser descaradamente roubada pelo inescrupuloso produtor musical Swan (Paul Williams), que pretende usá-la para inaugurar uma boate chamada Paraíso. Depois de uma série de acontecimentos trágicos, Leach é desfigurado, desaparece e é dado como morto. Até que alguns pequenos e bizarros “incidentes” começam a atrapalhar Swan e a inauguração de seu clube. O Fantasma do Paraíso é uma ópera-rock menor, pouco vista (ainda que tenha sido incansavelmente repetida na TV aberta), mas bastante divertida e climática. Não à toa, é freqüentemente comparado com Hair e Jesus Cristo Superstar na posição de melhor musical dos anos 70. A trilha sonora, composta por Paul Williams, foi indicada ao Oscar. Curiosidade: uma das responsáveis pelo design dos sets de filmagem é ninguém menos que Sissy Spacek, que dois anos depois viria a estrelar o melhor filme da carreira de De Palma. Quer saber qual é? Continua lendo, uai!

1976 • TRÁGICA OBSESSÃO (Obsession)

Além de ser um thriller altamente esquisito, este Trágica Obsessão serviu para que De Palma desse um tapa na cara da crítica, que andava curtindo a idéia de apontá-lo como um mero “imitador de Hitchcock”. Nada disso: De Palma utiliza zilhões de referências ao trabalho de seu diretor favorito – em especial ao fantástico Um Corpo Que Cai – para mostrar ao público que apenas gosta de REINVENTAR os elementos que caracterizaram as obras do mestre do suspense. O enredo de Trágica Obsessão lembra bastante as agruras de James Stewart em Um Corpo Que Cai: o executivo Michael Courtland (Cliff Robertson) vê sua vida virar de cabeça pra baixo quando um seqüestro mal negociado termina por tirar a vida de sua esposa e de sua filha. Os problemas de Michael só estão começando, já que, anos depois, durante uma visita à Itália, Michael apaixona-se por Sandra Portinari (Geneviève Bujold) e descobre que ela pode ser… Elizabeth, sua esposa assassinada. Mas como? O que aconteceu? Sua esposa e filha estão realmente mortas? É o que Michael, e o espectador como conseqüência, são desafiados a descobrir. Mas… será que Michael não está ficando louco? Hummm… Com Trágica Obsessão, a crítica finalmente parou de taxar Brian De Palma como um mero copycat e o aceitou como o que ele é: um sujeito de estilo próprio.

1976 • CARRIE, A ESTRANHA (Carrie)

O furioso Carrie, A Estranha foi o primeiro romance de Stephen King, e também sua primeira obra a ganhar as telonas. É também aquele que é considerado o melhor trabalho de De Palma – e com justiça. Mesmo depois de 30 anos, ainda impressiona (e muito) a história de Carrie (Sissy Spacek), a adolescente retraída que só quer ser aceita pelos amigos de escola. Reprimida sexualmente pela mãe, a fanática religiosa Margaret White (Piper Laurie), Carrie despiroca e decide empreender uma aterrorizante vingança piromaníaca contra seus colegas de colégio que, no baile anual, depois de ser coroada rainha do baile, deram-lhe um humilhante e nojento banho de sangue de porco. O que ninguém sabe é que Carrie, quando provocada, é dominada por uma gigantesca e incontrolável onda de poderes paranormais. O horror de Carrie, A Estranha só dá as caras mesmo em sua pavorosíssima seqüência final, a seqüência do baile. Mas não é necessário mais de 20 minutos de mortes impressionantes e terror psicológico para entender por qual razão Carrie, A Estranha é considerado um dos exemplares mais nobres do cinema de horror. Não é de se espantar que esta fita ainda tire o sono de muita gente – incluindo este que vos escreve! Vergonha… :-)

1978 • A FÚRIA (The Fury)

Encomendado por Hollywood como uma tentativa de repetir o sucesso que De Palma obteve com Carrie (inclusive escalando atores do outro longa, como Amy Irving, uma das sobreviventes do massacre promovido pela adolescente paranormal Carrie), o suspense A Fúria é um dos trabalhos do cineasta que mais chupinha elementos hitchcockianos. Não chega a ser tão excelente e tão marcante quanto Carrie, mas tem seu charme. A história é centrada em um diretor de um instituto de parapsicologia, Peter Sandza (Kirk Douglas), que descobre que seu filho é paranormal – ao mesmo tempo que sofre um atentado e vê seu filho ser seqüestrado pelo governo, que tem planos de fazer uso dos poderes do rapaz. Assim, Peter se une a outra adolescente com poderes psíquicos (Irving) para recuperar o garoto, que está nas mãos de um agente do governo americano que já foi amigo de Sandza, Childress (o ótimo John Cassavettes). E ponto final: não dá pra falar mais nada desta película, senão a surpresa vai para o saco! Hehehe. Curiosidade: A Fúria marca a estréia nas telonas, mesmo que não-creditada, de Daryl Hannah, mas conhecida da galera como a letal Californian Mountain Snake, aquela que quase conseguiu aniquilar “A Noiva” no já clássico Kill Bill de Quentin Tarantino.

1980 • VESTIDA PARA MATAR (Dressed to Kill)

Vestida para Matar é talvez a película mais popular da carreira de Brian De Palma. É também aquele que ostenta, ao lado de Carrie, o título de obra mais importante do indivíduo, além de ser sua película mais referencial – são nítidas as homenagens principalmente a Psicose. O enredo é bastante simples: um terapeuta, Dr. Robert Elliott (Michael Caine), descobre que um transexual está assassinando barbaramente as mulheres de sua vida, começando por uma sensual paciente, Kate Miller (Angie Dickinson, em papel que seria inicialmente interpretado por Liv Ullman) – e o que é pior, com uma navalha roubada de seu próprio escritório. Antes que a polícia comece a suspeitar de um suposto envolvimento seu nas mortes, Elliott trata de investigar os crimes, ao lado de uma prostituta de luxo (Nancy Allen, na época esposa do diretor), que também é testemunha de um dos assassinatos, e do filho de Kate Miller, um expert em tecnologia. Vestida para Matar não só é um ótimo suspense como também brinca com todos os estereótipos do gênero, estilo narrativo que seria mais tarde marca registrada de um certo Quentin Tarantino. Curiosidade: a inspiração para esta fita veio da própria infância de De Palma, quando ele acompanhou sua mãe criando toda espécie de parafernália e equipamentos de gravação para tentar flagrar uma possível “pulada de cerca” de seu pai. Hehehe!

1981 • UM TIRO NA NOITE (Blow Out)

Tido como uma das mais notórias homenagens a Hitchcock, em especial a Janela Indiscreta, o ótimo Um Tiro Na Noite é uma variação muito bem-sucedida de um dos maiores clássicos do cinema sessentista, Blow-Up: Depois Daquele Beijo (1966), de Michaelangelo Antonioni. De Palma reúne novamente os vilões de Carrie, John Travolta e Nancy Allen, na história de Jack Terry (Travolta), um sonoplasta de filmes de terror que vai a uma ponte deserta para captar ruídos noturnos, quando de repente ouve o estouro de um pneu de carro e vê, atônito, um carro desgovernado mergulhar no rio. Terry pula no rio e consegue salvar a jovem prostituta de luxo Sally Bedina (Allen); o outro ocupante do carro, ninguém menos que um candidato à presidência dos EUA, morre afogado. Tudo não passaria de um mero acidente, se as gravações de Terry não revelassem um quase imperceptível barulho de tiro a décimos de segundos antes do estouro do pneu… O que aconteceu de fato? É o que Jack, sozinho, tentará descobrir. Um dos melhores longas de De Palma e uma das melhores homenagens a Hitchcock.

1983 • SCARFACE (Idem)

Cultuadésimo trabalho De Palma, Scarface é também um remake de um dos maiores clássicos do cinema policial estadunidense, Scarface, a Vergonha de uma Nação (1932), de Howard Hawks – longa famoso por ter entre seus fãs ninguém menos que Al Capone (!). Refilmagem muito bem planejada, por sinal. Com um roteiro escrito por um sujeito maluco que costuma atender pelo nome de Oliver Stone, Scarface narra a ascensão e queda de Tony Montana (Al Pacino), bandidão cubano que instala-se em Miami e, ao começar a trabalhar para um chefão do crime organizado, cresce vertiginosamente na máfia local – a ponto de assassinar seu chefe e tomar seu lugar tanto nos negócios quanto em sua cama, ao lado da bela Elvira Hancock (Michelle Pfeiffer, ainda uma jovem quase estreante e mais bela do que nunca). Montana, conhecido como Scarface, é tão perverso e nojento que uma das mulheres que ele mais deseja sexualmente é sua própria irmã, a depravada Gina Montana (Mary Elizabeth Mastrantonio). Não é um trabalho para as massas, por conta da violência gratuita de praticamente 99,999% de sua projeção (!). Mas não deixa de ser absolutamente fundamental para quem se aprofunda na carreira de De Palma.

1984 • DUBLÊ DE CORPO (Body Double)

Incansavelmente reprisado nas sessões de cinema da TV aberta e também um dos primeiros filmes a ganhar lançamento em DVD no Brasil, Dublê de Corpo é o último trabalho no campo do suspense de De Palma antes de seu mergulho em produções policiais e dramáticas (algumas delas, sem êxito algum). O foco de sua trama, aqui, é o voyeurismo: o ator desempregado Jake (Craig Wasson), que sofre de claustrofobia, é traído por sua namorada e agora precisa de um lugar para morar. Assim, aceita o convite de um amigo para tomar conta de um imenso apartamento. Lá, Jake encontra um telescópio que aponta para um apartamento vizinho, onde a sensualíssima Gloria Revelle (Deborah Shelton) costuma fazer ocasionais strip-teases. Obcecado pela garota, Jake não demora a perceber que há outro homem à espreita de Gloria… um assassino… de repente, Jake se vê no meio de uma tenebrosíssima teia, onde a porn star de quinta categoria Holly Body (Melanie Griffith, em papel que seria vivido pela estrela pornô Annette Haven) pode ser a chave para a solução do mistério… ou o fundo do poço de vez. Obrigatório para quem se diz fã de Brian De Palma! Infelizmente (ou felizmente, sei lá), De Palma não pôde concretizar sua vontade de fazer com que Dublê de Corpo fosse o primeiro longa-metragem não-pornô a trazer cenas de sexo real… Sim, ele queria fazer isso, mas o estúdio não deixou.

1987 • OS INTOCÁVEIS (The Untouchables)

Inegavelmente um grande filme de gângsteres, Os Intocáveis é a prova concreta de que Brian De Palma não é ótimo cineasta apenas de filmes de suspense – além de ajudar a alavancar a carreira de um certo Kevin Costner, ajudar a firmar o prestígio de um certo Robert DeNiro e dar um (merecidíssimo) Oscar ao eterno 007 Sean Connery. Baseado em eventos absolutamente reais – que renderam também um excelente seriado televisivo em 1959 -, a trama gira em torno da ascensão do mafiosaço Al Capone (DeNiro), que domina Chicago em 1930, em plena Lei Seca. Capone é tão temido que nem mesmo a polícia é capaz de pensar em detê-lo… até que o novato Elliott Ness (Costner) chega à cidade e, indignado com o domínio do bandido e com a corrupção que assola a polícia local, escala um pequeno time de agentes incorruptíveis para deter Al Capone a qualquer custo. Com uma fantásticas fotografia e pelo menos uma seqüência clássica – a seqüência do carrinho de bebê na escadaria, referência a um dos maiores filmes da história do cinema, O Encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein -, Os Intocáveis ainda é referência para o gênero policial. Não à toa, De Palma foi intimado a comandar Capone Rising, prequel que conta a ascensão de Al Capone e que já está em fase de pré-produção.

1992 • SÍNDROME DE CAIM (Raising Cain)

Não são raros aqueles que apontam Síndrome de Caim, retorno de Brian De Palma ao suspense depois de um hiato de 8 anos, como um dos piores momentos de sua carreira. Dizem até que a distância do gênero – visto que, neste meio tempo, De Palma mergulhou em dramas intimistas (Pecados da Guerra) e em fitas de tribunal (Fogueira das Vaidades), todos eles péssimos trabalhos – fez muito, muito mal ao diretor. Bobeira. Síndrome de Caim pode não ser um trunfo de enredo e muito menos um dos longas mais significativos de seu currículo, mas é extremamente bem sucedido quando a proposta é prender o espectador até o final e deixá-lo surpreendido, a verdadeira proposta de todos os longas de De Palma. No enredo, o psicólogo infantil Carter Nix (John Lithgow) é tão obcecado por seu trabalho que vigia a todo tempo o comportamento de sua pequena filhotinha Amy, de dois anos. Sua esposa, Jenny (Lolita Davidovich, HORRÍVEL!), está tão cansada das loucuras de Carter que entrega-se sem culpas a um caso extraconjugal com o galãzinho Jack (Steven Bauer). E todos estão totalmente alheios para o fato de que Carter, na verdade, é um pirado que seqüestra crianças para os experimentos científicos de um sádico médico que também é seu pai (vivido também por Lithgow), que todos julgam estar morto. Mas será que ele realmente está vivo? E quem é Caim (também Lithgow), que vez por outra aparece para dar uns tabefes em Carter? Uma salada recheada de sustos e extravagâncias visuais que, se visto sem compromisso e sem muitas pretensões, funciona muito bem.

1993 • O PAGAMENTO FINAL (Carlito’s Way)

Bastante subestimado pela crítica à sua época e hoje tido como um neo-clássico, O Pagamento Final fez sucesso nos cinemas gringos e também nos cinemas brazucas – tanto que, recentemente, ganhou um prequel estrelado por Jay Hernandez, que já está disponível em DVD aqui no Brasil. Trata-se de um drama muito bacana que, aos poucos, transforma-se em um intrigante suspense policial de deixar o espectador grudadinho na poltrona. A trama é centrada no mafioso Carlito Brigante (Al Pacino), que sai da prisão depois de cumprir pena de 5 anos, decidido a finalmente levar uma vida decente e honesta ao lado da mulher que ama, a meiga bailarina Gail (Penelope Ann Miller). Mas em seu caminho há uma pedra: o asqueroso advogado David Kleinfeld (um irreconhecível Sean Penn), que traz consigo uma oferta tentadora. O problema é que Carlito não tem como fugir desta proposta, já que deve pelo menos um grande favor ao inescrupuloso advogado. Por outro lado, aceitar o lance todo (um negócio ilegal, óbvio) pode ser a chave para seu futuro sossegado ao lado de Gail. Mal sabe Carlito Brigante que este caminho pode lhe levar à glória… ou ao inferno de vez. Um longa que poderia sair errado nas mãos de pessoas erradas, mas que cresce violentamente com as ótimas performances de Pacino e Penn e principalmente com a mão cuidadosa de Brian De Palma na direção.

2002 • FEMME FATALE (Idem)

É o filme mais recente de De Palma até Dália Negra – é antecedido pelos fiascos Olhos de Serpente (1998) e Missão Marte (2000) -, e também um de seus trabalhos mais controversos: quem gostou, diz que é um clássico; quem não gostou, o aponta como um dos thrillers mais babacas e sem sentido dos últimos anos. Opiniões à parte, Femme Fatale não deixa de ser um curioso exercício de estilo que representa, não em termos de qualidade mas sim de narrativa e perfeccionismo técnico, a maior homenagem que De Palma fez a Hitchcock em toda sua filmografia. Aqui, a maravilhosa Rebecca Romijn (ainda assinando Rebecca Romijn-Stamos), nossa querida amiga Mística, interpreta uma larápia que participa de um roubo de jóias – mais exatamente das jóias de uma starlet em pleno Festival de Cannes – e, como era de se esperar, passa a perna em seus comparsas e foge com as pedrinhas. Assim, ela muda de identidade e tenta seguir uma vida sossegada… mas a perseguição a ela empreendida por um paparazzi apaixonado (Antonio Banderas) pode atrair a atenção dos bandidões sedentos de vingança e botar em risco seu plano de fuga. Bem, não importa o que dizem: quem é fã de De Palma deve assistir Femme Fatale nem que seja por obrigação – e cá entre nós, o longa traz um dos trailers mais criativos dos últimos tempos: como ninguém até então teve a psicótica idéia de acelerar o filme INTEIRO de modo a condensá-lo em dois minutos e meio? :-D

OS FILMES ESSENCIAIS DE BRIAN DE PALMA
Matéria publicada originalmente em A ARCA em 01/10/2006
Complemento do especial para a estréia do longa-metragem DÁLIA NEGRA (The Black Dahlia).

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