Cinco Longas Essenciais de Clint Eastwood

Matéria de Cinema – Texto publicado originalmente em A ARCA, em 11/02/2005.

Ator, diretor, produtor, compositor… Ninguém mais duvida que Clinton Eastwood Jr., ou Clint Eastwood, seja um dos caras mais poderosos do cinema americano. Não digo “poderoso” em termos “salariais”, se é que vocês me entendem, mas a real é que pouquíssimos conseguiram chegar aos setenta e tantos (no caso, 74 aninhos) na posição que Clint desfruta na indústria cinematográfica. Não à toa, Clint ocupou recentemente o segundo lugar da lista dos 100 maiores astros do cinema de todos os tempos, segundo a revista Empire. E sem contar que o cara é o Dirty Harry, pelo amor de Deus! Go ahead, punk, make my day! :-D

Nascido em 31 de Maio de 1930, Clint passou um bom período de sua vida trabalhando em bicos, como por exemplo em postos de gasolina. E quem olha para este senhor hoje em dia, nem imagina que Clint Eastwood já passou pelas mais bizarras situações: foi dado como morto na Guerra da Coréia, sobreviveu a um bizarro acidente de avião, trabalhou como bombeiro florestal, casou três vezes e passou dois anos como prefeito de uma pequena cidade litorânea na Califórnia (no caso, a cidade de Carmel, entre 1986 e 1988). Eu, hein! Vai ser versátil assim na casa do chapéu…

Mas não adianta. O lugar de Clint é mesmo o cinema. Só pra se ter uma idéia, neste ano o ator completa 50 anos de carreira (sua estréia no cinema se deu em 1955 com o filme Tarantula, e em seguida, com Revenge of the Creature). Neste meio-tempo, Eastwood atuou em nada menos do que 58 produções, além de dirigir 28 filmes, produzir 22, compor a trilha sonora de 10 e ainda escrever um, sempre oscilando entre trabalhos excelentes e outros fraquíssimos, pra não dizer terríveis!

Bem, como não dá pra falar detalhadamente de cinquenta e tantos filmes aqui, nóis aqui d’A ARCA demos uma fuçada legal em sua filmografia e trouxemos aqui os cinco longas essenciais da carreira de Clint Eastwood, aqueles necessários mesmo. Ideal para quem ainda não sabe muito e quer conhecer um pouco mais da história do indivíduo que anda emocionando meio-mundo com o já clássico Menina de Ouro (Million Dollar Baby, 2004), que estréia nesta sexta-feira em circuito nacional. Confira logo abaixo os nossos escolhidos!

1966 • TRÊS HOMENS EM CONFLITO (The Good, The Bad And The Ugly) • O enredo é simples: três homens – um bom, um mau e um feio, como sugere o título original – tentam, de qualquer maneira, se apoderar de US$ 200.000 dólares, roubados por soldados em plena Guerra Civil. o dinheiro, enterrado em um cemitério, trará a discórdia entre os três. Três Homens Em Conflito é o último filme de uma trilogia de westerns-spaghetti protagonizados por Clint e dirigidos pelo master Sergio Leone (os primeiro filmes são Por Um Punhado de Dólares, de 66, e Por Uns Dólares a Mais, de 67). É aclamado pela crítica mundial como um dos melhores, senão o melhor faroeste já realizado. Só para se ter uma idéia, o longa lançou, além do próprio Clint, a clássica trilha de Ennio Morricone e serviu de referência a praticamente TODOS os faroestes lançados desde então. O mais incrível, contudo, é que a espetacular narrativa desta fita é justamente o que afasta grande parte do “povão”: lenta, arrastada, apoiada em imagens e quase sem diálogos.
É essencial na carreira de Clint porque… é um excelente tabalho de direção e interpretação. Só para se ter uma idéia de como Três Homens em Conflito é cultuado, um certo Quentin Tarantino não se cansa de afirmar que seu desejo em fazer cinema surgiu depois que assistiu esta fita. Obrigado, Clint. Sem você, Kill Bill não teria existido!

1971 • PERSEGUIDOR IMPLACÁVEL (Dirty Harry) • O clássico policial Perseguidor Implacável foi um dos cinco longas-metragens protagonizados por Clint e dirigidos por seu camarada Don Siegel. É um marco na história por apresentar o mais famoso personagem de Eastwood, o ambíguo e durão policial ‘Dirty’ Harry Calahan, que simplesmente “não tem paciência para lidar com bandidos” (!). Só pra lembrar: Dirty Harry apareceu em outros quatro longas: Magnum 44 (73), Sem Medo da Morte (76), Impacto Fulminante (83) e Dirty Harry na Lista Negra (88). No enredo deste eletrizante filme de ação, Dirty Harry é o detetive encarregado de capturar um maníaco que assassina uma pessoa por dia. O tal assassino em questão avisa: só interromperá a onda de crimes caso receba uma quantia de 100 mil dólares. Quando Scorpion, o matador, é preso e libertado em seguida – por falta de provas -, Harry resolve burlar a lei e utilizar “seus próprios métodos”. Durante as filmagens, ninguém imaginou que o personagem faria tanto sucesso – o longa marcou de uma tal maneira que Andrew Robinson, intérprete de Scorpion, sofreu várias ameaças de morte por conta de seu papel. E pensar que o Harry Calahan seria interpretado inicialmente por Frank Sinatra…
É essencial na carreira de Clint porque… é simplesmente ducacete! Perseguidor Implacável, junto com os clássicos Bullitt e Os Implacáveis, redefiniu o conceito de cinema de ação nos anos 60 e 70.

1971 • PERVERSA PAIXÃO (Play Misty For Me) • Ainda em 1971, pouco antes do sucesso com o longa citado acima, Clint aproveitou e decidiu se lançar na carreira de diretor. Até então acostumado a trabalhar em policiais e westerns, sempre com aquela fama inabalável de “troglodita”, Clint surpreendeu ao comandar um… suspense romântico. Perversa Paixão arrancou elogios rasgados da crítica não somente por ser o intrincadíssimo suspense que é, mas também por revelar uma faceta de Eastwood que até então ninguém conhecia. Clint, como diretor, conduz uma belíssima e cruel trama sobre um radialista (o próprio) perseguido por uma fã maluca (Jessica Walter) que, noite após noite, pede a mesma música (no caso, a baladinha Misty, famosa na voz de Johnny Mathis). Aos poucos, a psicopata invade a vida do homem até ser rejeitada e, finalmente, revelar seu lado homicida. Pode-se dizer que é o “pai” de fitas como Mulher Solteira Procura e Louca Obsessão.
É essencial na carreira de Clint porque… é um senhor filme de suspense que ainda hoje, mais de trinta anos depois de sua estréia, passa a rasteira em muito “filmeco com surpresas no final”. E por falar em final, a conclusão da trama, mesmo sendo batida hoje em dia, é de arrepiar os fios do… ah, deixa pra lá.

1992 • OS IMPERDOÁVEIS (Unforgiven) • Tudo bem, falar de Os Imperdoáveis é mesmo chover no molhado. Mas por favor, é só um dos grandes trabalhos da década de 90! O enredo narra a via-crúcis de Bill Munny (Clint), um pistoleiro aposentado que resolve voltar à ativa para um último serviço. O trato: Munny precisa encontrar e dar cabo dos bandidões que fizeram miséria no rosto de uma prostituta. Para isto, receberá 1.000 dólares. Para concluir o serviço, Munny contará com a ajuda de seu melhor amigo, Ned (Morgan Freeman, que mais tarde repetiria a parceria com Clint em Menina de Ouro) e do jovem Schofield Kid (Jaimz Woolvet). Entretanto, a barreira surgirá na forma de um inglês canalha que quer tomar a recompensa para si (Richard Harris) e de um xerife pacifista (Gene Hackman). Bem, como se não bastasse o fato de a história ser fenomenal, Os Imperdoáveis ainda trouxe um conjunto de excelentes atuações do quarteto central, em especial Gene Hackman – que nem queria fazer parte do projeto e acabou levando um Oscar pra casa, dos quatro que a fita recebeu. E diga-se de passagem, com muita justiça.
É essencial na carreira de Clint porque… Clint foi extremamente feliz na direção deste trabalho, que renovou o gênero faroeste e ainda levantou a carreira de todos os envolvidos, particularmente de Morgan Freeman que, com sua atuação aqui, se consolidou como um dos maiores atores americanos em atividade atualmente. E vá se danar, olha só os caras que o Clint Eastwood reuniu aqui!

1995 • AS PONTES DE MADISON (The Bridges of Madison County) • Muita gente adora chamar As Pontes de Madison de “o filme de meninas da carreira de Clint Eastwood”. Nada disso. Na verdade, este aclamadíssimo longa-metragem ganhou esta fama justamente por Clint, mais uma vez na direção (e também atuando), revelar um impressionante domínio também do gênero romance. Mas nada de draminhas do tipo “estrelados pela Farrah Fawcett sobre mulher que apanha do marido e que são exibidos no Supercine”. Muito pelo contrário, aqui o buraco é beeem mais embaixo. Inspirado num livro cultuadíssimo nos States (que, por sua vez, é inspirado numa suposta história real), As Pontes de Madison narra um breve e arrasador relacionamento entre um fotógrafo da National Geographic (Clint) e uma dona-de-casa (Meryl Streep, num de seus melhores momentos), cujos marido e filhos estão viajando. O romance, que durou quatro dias, é contado através de cartas escritas por Francesca, a dona-de-casa, descobertas pelos filhos já adultos após sua morte. Sensível, poético e de cortar o coração, As Pontes de Madison é um daqueles filmes capazes de amolecer até o mais duro dos corações. E quem dirigiu? Pombas, meu, olha lá! É o Dirty Harry! Aquele que enche de porrada primeiro e pergunta depois! :-D
É essencial na carreira de Clint porque… provou que romance não é “coisa de mulher”. Afinal, se até o Harry Calahan se rendeu a esta história, por que nós não poderíamos? E o filme é bom MESMO!

Pois bem, estas sãs as fitas que, na nossa humilde opinião, definem bem a versatilidade de Clint Eastwood. Sim, eu sei que alguns podem não concordar com alguma coisa, podem achar que faltou algum título e que alguns destes aí não merecem estar na listinha. Nada mais natural, afinal cada um tem uma opinião, né! Por isso, logo abaixo, relacionamos TODOS os trabalhos deste cara que é, simplesmente… O CARA!

OS PONTOS ALTOS

Tarantula (1955) • Por Um Punhado de Dólares (1964) • Por Uns Dólares a Mais (1965) • Meu Nome é Coogan (1968) • Os Abutres Têm Fome (1969) • O Desafia das Águias (1969) • O Estranho que Nós Amamos (1971) • O Estranho Sem Nome (1972) • Magnum 44 (1973) • Josey Wales, o fora-da-lei (1976) • Sem Medo da Morte (1976) • Alcatraz, Fuga Impossível (1979) • Bronco Billy (1980) • Honkytonk Man (1982) • Impacto Fulminante (1983) • Um Agente na Corda Bamba (1984) • O Cavaleiro Solitário (1985) • O Destemido Senhor da Guerra (1986) • Dirty Harry na Lista Negra (1988) • Bird (1988) • Coração de Caçador (1990) • Na Linha de Fogo (1993) • Um Mundo Perfeito (1993) • Gasparzinho (1995) • Cowboys do Espaço (2000) • Sobre Meninos e Lobos (2003) • Menina de Ouro (2004).

OS PONTOS BAIXOS

As Bruxas (1967) • A Marca da Forca (1967) • Os Aventureiros do Ouro (1969) • Os Guerreiros Pilantras (1970) • Joe Kidd (1972) • Rota Suicida (1976) • Doido Para Brigar, Louco Para Amar (1978) • Punhos de Aço (1980) • Firefox, Raposa de Fogo (1982) • Cidade Ardente (1984) • Cadillac Cor-de-Rosa (1989) • Rookie, um Profissional do Perigo (1990) • Poder Absoluto (1997) • Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal (1997) • Crime Verdadeiro (1999) • Dívida de Sangue (2002).

OS DESCONHECIDOS

Revenge of the Creature (1955) • Francis in the Navy (1955) • Lady Godiva (1955) • Never Say Goodbye (1956) • Star in the Dust (1956) • Away All Boats (1956) • The First Traveling Saleslady (1956) • Escapade in Japan (1957) • Lafayette Escadrille (1958) • Ambush at Cimarron Pass (1958) • Thunderbolt and Lightfoot (1974) • The Eiger Sanction (1975).

Aí está, eis a filmografia completa de Clint Eastwood. Atualmente, o diretor está rodando o drama de guerra Flags of Our Fathers, ambientado na 2.ª Guerra Mundial, com estréia prevista para 2006. então é só aguardar pra ver se Clint nos prova, mais uma vez, que ainda se mantém digno de honrar sua segunda posição como um dos maiores astros do cinema. Ah, quer saber? O que vier dele, eu assisto! Até fita com a Eliana! :-)

CINCO LONGAS ESSENCIAIS DE CLINT EASTWOOD
Matéria publicada originalmente em A ARCA em 11/02/2005
Complemento do especial para a estréia do longa-metragem MENINA DE OURO (Million Dollar Baby).

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