Hitch – Conselheiro Amoroso

Crítica de Cinema – Texto publicado originalmente em A ARCA, em 08/02/2005.

Hitch - Conselheiro Amoroso

Sim, você já viu este filme antes. Na verdade, milhões de vezes. A história de Hitch – Conselheiro Amoroso (Hitch, 2005), nova fita estrelada pelo rapper-ator-popstar Will Smith, chega a ser tão repetida, mas tão repetida, que fica até difícil escrever qualquer coisa a seu respeito sem parecer… er… repetitivo.

Mas já que estamos aqui, vou tentar explicar melhor: todo mundo está careca de saber que cada um dos gêneros cinematográficos costumam seguir uma “cartilha”. No caso dos filmes policiais, sempre há a dupla que não se entende, se detesta e no final acaba se afeiçoando; nos longas de suspense, o assassino/traidor é sempre aquele acima de qualquer suspeita, que tira a máscara e revela seu(s) plano(s) maligno(s) para a mocinha amarrada antes de ameaçar matá-la, enquanto o herói da história chega no último momento para salvá-la e despachar o vilão desta para uma melhor; e quando o lance envolve comédias românticas, o casal se envolve, lá pelo meio do enredo um vira a cara para o outro e, no final, depois de uma horinha e meia de piadas e situações engraçadas, todos se acertam. Ok, beleza, vamos todos comer uma pizza! :-)

A coisa não é diferente em Hitch, como eu falei antes. Aliás, esta comédia dirigida por Andy Tennant – cujos trabalhos anteriores na direção incluem a comédia Doce Lar, com Reese Whiterspoon, e o drama Anna e o Rei, com Jodie Foster e Chow Yun-Fat – e escrita pelo estreante Kevin Bisch segue rigorosamente TODAS as regras e TODOS os tópicos listados na cartilha de “como se fazer uma fita descartável no subgênero comédia romântica”. Se isto é ruim? Em partes.

Só para se ter uma idéia de como é o lance: logo no início da fita, somos apresentados a Alex ‘Hitch’ Hitchens (Will Smith, óbvio), nova-iorquino que possui um emprego no mínimo curioso: o cara é Conselheiro Amoroso. Bem, o que viria a ser isso? Hitch é especializado em ensinar homens tímidos, solitários e afins a conquistar aquele mulheraço que normalmente passaria longe de tipos como este, como por exemplo aquela colega de trabalho ou aquela vizinha fantástica, tesudona, intocável e inatingível. O trabalho de Hitch consiste em “organizar” os três primeiros encontros, “plantando” elementos que façam com que a “vítima” caia apaixonada pelo “contratante do serviço” logo de primeira. Ou seja, ele dá o pontapé, faz a mina ficar literalmente “de quatro” e o resto é por conta de quem pagou pelos “serviços” dele.

Passado um tempo, Hitch conquistou fama, nada na grana, vive num pusta apartamento e se tornou uma lenda anônima em Nova York. Entretanto, esta vida de sossego pode estar com os dias contados. Tudo por conta de duas situações aparentemente distintas: Primeiro, Hitch é contratado para ajudar o contador Albert Brennaman (Kevin James, do seriado da Sony The King of Queens, estreando no cinema) a conquistar Allegra Cole (a modelo Amber Valletta, que já trabalhou em filmecos como Revelação, “aquilo” do Robert Zemeckis). A tarefa é praticamente impossível, já que Allegra é uma belíssima, elegante e ricaça socialite que estampa a capa de 9 entre 10 revistas sociais, e Albert é um desastrado que consegue derrubar tudo que vê pela frente em cima de si mesmo, entre outros micos violentos. Mais um pequeno detalhe: Allegra é chefe de Albert.

Como problemas sempre vêm aos pares, Hitch ainda cai de amores por Sara Melas (Eva Mendes, de Ligado em Você – sim, o nome da personagem é “Melas” mesmo). E o que tem de mais nisso? Bem, ela não sabe que Hitch é o tal “doutor do amor”, como é conhecido na cidade. E Sara trabalha como repórter para uma revista de fofocas, e a matéria na qual está trabalhando atualmente envolve justamente o tal “novo amor” de Allegra Cole e a busca pela verdadeira identidade do “conselheiro amoroso” que se tornou lenda em Nova York. Como se não bastasse, Hitch vê que suas táticas funcionam com todos os homens, menos ele. Ou seja: o cara terá que comer muito arroz-com-feijão para conquistar a carrancuda repórter – e ainda fazer com que ela não descubra que ele é o tal “casamenteiro”. Pois é, a confusão está armada e a história é esta.

Pois bem, só para se ter uma idéia de como é tudo bem encaixadinho como uma fórmula, até os atores estão em seus devidos lugares: Will Smith abocanhou o papel principal que nada mais é do que veículo para que ele possa interpretar seu papel preferido: o de Will Smith (não à toa, o cara também é o produtor da fita, o que explica tudo); o bom comediante Kevin James repete nas telonas todos os trejeitos do atrapalhado Doug de The King of Queens, o seriado que o tornou astro; e Eva Mendes… bem, ela consegue ser ruinzinha até ficando parada e sem abrir a boca, mas sua personagem aqui não exige nada além de sua beleza. Enfim, papéis sob medida para seus intérpretes. Quanto à direção de Andy Tennant, não há nada de novo, mas ele também não estraga nada. Em compensação, o roteiro, mesmo entupido de clichés, diverte bastante e proporciona momentos muito engraçados, como a cena do “treino do beijo” (já estragada no trailer) e a seqüência da alergia de Hitch.

E o problema maior, a meu ver, é que em 15 minutos de projeção, nem bem fomos apresentados aos personagens principais, todo mundo já sabe o que vai acontecer. E não digo em adivinhar o final, digo mesmo em adivinhar TODO O PROCESSO PELO QUAL CADA UM DOS PERSONAGENS VAI PASSAR ATÉ O FINAL DO FILME! É possível adivinhar até quais serão as próximas falas! É tudo tão igual a tantas outras películas do gênero, que dá no mesmo você alugar O Casamento dos Meus Sonhos ou Como Perder um Homem em 10 Dias, pra citar exemplos. Sai mais barato que cinema, e é só imaginar o Will Smith no lugar do Matthew McConaughey. Se você já assistiu a qualquer um destes dois filmes, também já assistiu Hitch. Ah, e só mais uma coisinha: 115 minutos é tempo demais para uma fita assim. Vinte ou trinta minutos a menos no filme não faria mal a ninguém.

Tá, então o longa é uma porcaria? Er, não é bem assim. Hitch pode ser visto por duas prismas: se você não está nem aí pra clichês batidos e quer mesmo das umas boas gargalhadas no cinema sem se preocupar com a vida, a fita dá pro gasto. Engraçada, bem montadinha, com momentos divertidos e uma trilha sonora bacaninha. Agora, para aqueles que já curtem trabalhos mais contundentes – e ainda mais hoje em dia, em que o cinema romântico anda cada vez mais “cabeça” com longas como Antes do Pôr do Sol e Closer -, pelo amor de Deus, passe beeeeeem longe do cinema. Na minha opinião pessoal… sim, eu me diverti! Me incomodei com os clichês por hora ou outra, mas como dizia vovó: Mais vale uma história repetida bem contada do que uma história nova mal contada! :-D

Ah, e quem sabe o Will Smith não possa dar um help ao nosso amigo Fanboy? Hehehe… :-D

HITCH • EUA • 2005
Direção de Andy Tennant • Roteiro de Kevin Bisch
Elenco: Will Smith, Kevin James, Eva Mendes, Amber Valletta, Julie Ann Emery, Michael Rapaport, Adam Arkin, Jeffrey Donovan.
115 min. • Distribuição: Columbia Pictures.

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