Terapia do Amor

Crítica de Cinema – Texto publicado originalmente em A ARCA, em 26/04/2006.

Terapia do Amor (Prime)

Esta provavelmente será a crítica mais rápida e curta escrita por mim que você JAMAIS verá n’A ARCA. Digo isto não porque o Fanboy está me apertando com prazos (embora ele realmente esteja… :-D), mas sim porque não faço a MENOR IDÉIA do que falar sobre Terapia do Amor (Prime, 2005).

Não, não estou sofrendo uma crise de criatividade ou algo do gênero. A questão é que corro o sério risco de me repetir, pois Terapia do Amor é simplesmente mais uma comédia romântica que segue a cartilha-estadunidense-de-comédias-românticas à risca e não traz nenhuma novidade. Tem uma história corretinha, um roteiro bem construído e com tudo no lugar, personagens carismáticos defendidos por atores bacanas e uma direção sem maiores atrativos, mas num estágio de competência dentro do aceitável e até um pouco acima. Só que aqueles que estão cansados de assistir à filmografia melosa da senhora Meg Ryan e seus similares não encontrarão nada que já não tenha visto em outras e outras e outras ocasiões. Não há nem como dissecar detalhes da película, pois falarei exatamente a mesma coisa que cansei de dizer em outras críticas de trabalhos do gênero – além de entregar inconscientemente o filme todo!

Aliás, para entender o que eu digo, basta que você busque neste glorioso website a matéria do El Cid sobre a comédia A Sogra e, ao ler seu conteúdo, apenas troque alguns nomes: onde está escrito A Sogra, leia Terapia do Amor; onde está escrito Jane Fonda, leia Meryl Streep; e onde está escrito Jennifer Lopez, leia Uma Thurman. Basicamente isto, com a exceção de que este novo longa, escrito e dirigido por Ben Younger (o mesmo do ótimo O Primeiro Milhão) tem um pequeno elemento que A Sogra não tem: CHARME. Pois é, mesmo deitando e rolando nos mais variados clichês e estereótipos do gênero, Ben Younger é tão carinhoso e cauteloso com seus personagens e sua história que fica difícil não curtir pelo menos um pouquinho do filme – o que não o torna um clássico, diga-se de passagem, apenas um entretenimento divertido e descartável.

Então, vamos rapidamente com isso aqui! Para não me prolongar muito e poupar os dois únicos neurônios que sobreviveram a esta semana (ei, viu QUANTOS filmes resenhei para a atualização desta sexta-feira?), dividirei esta matéria em quatro tópicos:

TÓPICO UM: A história…

…é assim: a nova-iorquina Rafi (Uma Thurman, mais conhecida como a Beatrix Kiddo de Kill Bill) é uma produtora fotográfica de 37 anos cheia de conflitos e neuroses. Recém-separada, ela vive no consultório de sua terapeuta, a tradicionalíssima judia Dra. Lisa Metzger (Meryl Streep, Adaptação), que tenta de todas as formas fazer com que sua cliente perca o medo de se envolver em novos relacionamentos. Certo dia, Rafi conhece e apaixona-se loucamente por David (Bryan Greenberg), recém-saído da faculdade e nada menos que 14 anos mais novo. Rafi e David começam a namorar, mesmo com a diferença de idade e com os habituais problemas que se seguem – enquanto ela é uma executiva comedida, responsável e dona de seu próprio nariz, ele é um artista inconseqüente e de certa forma imaturo que sequer saiu da casa dos pais. Mas nada será pior para Rafi do que esta terrível descoberta: David é o queridíssimo e mimadaço FILHO ÚNICO de sua terapeuta…

TÓPICO DOIS: Se você gosta de comédias românticas…

…não tem do que reclamar. O roteiro de Terapia do Amor não deixa escapar nenhuma das fórmulas e das regras do cinema deste gênero. A estrutura da narrativa, nitidamente influenciada pelo estilo Woody Allen de contar histórias, é aquela que você já conhece: brigas, confusões, trapalhadas e, como não poderia deixar de ser, um belo happy end. Soma-se a isto uma gama de personagens engraçados, adoráveis, tridimensionais e bastante realistas, e pronto, você tem um filme perfeito para casaizinhos apaixonados e garotas que sonham com o primeiro amor. Aliás, as meninas certamente gastarão muita saliva na beleza do galã Bryan Greenberg (pelo menos ele também é talentoso… agüentar mais um tenebroso Michael Vartan da vida, não tem condições!).

TÓPICO TRÊS: Se você NÃO gosta de comédias românticas…

…é melhor fugir. Sim, Terapia do Amor é uma comédiazinha bacaninha, mas definitivamente foi feito para um público-alvo, aquele citado no tópico dois. Se você não se enquadra nesta categoria e curte cinema agitado, filmes de ação e afins, é óbvio que sairá desta sessão carregado de ódio. Por outro lado, há um fator diferencial mágico chamado Meryl Streep: a atriz, indiscutivelmente a melhor atualmente no cinema mundial, está mais afiada do que nunca, e consegue apagar tudo e todos à sua volta. A atuação de Streep e o climão artístico-underground de Nova York (fotografada de forma belíssima pelo documentarista William Rexer, de ABC Manhattan) compensam o dindim gasto no ingresso. Se você não é fã do gênero mas ainda assim está afim de conferir, eu não me responsabilizo! :-D

ÚLTIMO TÓPICO: Conclusões

Para resumir todo o borogodó, além de ser um excelente passatempo para os fãs de comédias românticas, Terapia do Amor serve para nos explicar que a) Uma Thurman é linda e está aprendendo a atuar direitinho, mesmo quando não dirigida por Quentin Tarantino, b) Meryl Streep é um gênio e consegue tirar água de pedra, embora não seja este o caso aqui, c) não importa se uma história é contada várias e várias vezes, e sim a FORMA com que ela é contada, e d) quando se trata de “filmes-que-quase-nenhum-nerd-quer-ver”, o Zarkolino aqui é a cobaia eterna! Ainda bem que, desta vez, não me dei mal. :-D

Ei, para quem não sabia o que falar, até que eu falei bastante… hehehe!

CURIOSIDADES:

• O papel de Uma Thurman seria originalmente interpretado pela melindrosa Sandra Bullock (eu já imaginava…). Só que Bullock surtou nos sets e exigiu uma pá de mudanças no roteiro, de modo que sua personagem se sobressaísse. O diretor Ben Younger não pensou duas vezes em demitir a moça (hehehe), declarando em alto e bom som que jamais voltaria a trabalhar com ela (hóhóhó). Uma Thurman assumiu o papel apenas duas semanas antes das filmagens.

• O divertido Bryan Greenberg quase não fez nada no cinema, mas é um veterano nas telinhas: o cara já participou de seriados como Law & Order, Família Soprano, Third Watch, Boston Public e atualmente tem um papel regular em One Tree Hill.

• O diretor Ben Younger também é jornalista, e escreve reportagens para o jornal The New Yorker.

PRIME • EUA • 2005
Direção de Ben Younger • Roteiro de Ben Younger
Elenco: Meryl Streep, Uma Thurman, Bryan Greenberg, Jon Abrahams, Adriana Blasi.
105 min. • Distribuição: Focus Features/Europa Filmes.

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