Operação Babá

Crítica de Cinema – Texto publicado originalmente em A ARCA, em 10/05/2005.

Operação Babá (The Pacifier)

Antes de qualquer coisa, uma confissão: eu gosto do Vin Diesel. Sério, acho o cara o maior legal! Por favor, não interpretem esta expressão no sentido “Que gato, noooooofa” (!), pois o que quero dizer é que me divirto adoidado com seus filmes. Mas esta opinião, claro, não é compartilhada pelos meus conterrâneos d’A ARCA; um deles, inclusive, quase enfartou quando comentei sobre minha simpatia pelo sujeito. Né, El Cid?

Enfim, no meu humilde ponto de vista, Vin Diesel é, ao lado do bacana Dwayne Johnson (mais conhecido como The Rock), notadamente mais carismático que Arnold Schwarzenegger e/ou Sylvester Stallone, na boa. E ao lado do glorioso Escorpião Rei, defendo que Diesel possui muito mais talento para protagonizar fitas de pancadaria que o atual Governador da Califórnia tinha em sua época. Sim, não posso negar que Diesel tem lá seus momentos de canastrice. Mas até que o ator se vira como pode, além de saber dizer “não” quando deve. Afinal, o cara recusou dar as caras em bombas homéricas como + Velozes + Furiosos e xXx 2: Estado de Emergência, duas continuações de longas de sucesso estrelados por ele. E quem teve a oportunidade de conferir o drama obscuro e bacaninha O Primeiro Milhão sabe que Vin Diesel tem, sim, um belo de um potencial dramático, por mais que não esteja tão acostumado a desenvolvê-lo – o que pode acabar em breve, com a estréia do drama de tribunal Find Me Guilty, de Sidney Lumet, em que Diesel interpreta um mafioso (e cabeludo!).

O que nos leva a este Operação Babá (The Pacifier, 2005), filme em que o ator dá uma pequena pausa nos chutes, socos e pontapés para se dedicar a outro gênero: a comédia. Uma comédia da Disney para toda a família. Bem, aqui o problema não era exatamente o Vin Diesel em si, mas sim a fita inteira! Nada contra o gênero, mas as primeiras imagens e o trailer indicavam que Operação Babá poderia competir numa boa com O Filho do Máskara pelo título de pior filme do ano. E alguém aí duvidou que seria eu o escolhido a conferir esta produção? Bem, eu fui. E independente de gostar ou não do Vin Diesel, fui consciente de que poderia passar momentos de terror e sentir um desejo obscuro de antecipar minha partida “desta para uma melhor” ao final da projeção. E não é que sobrevivi? :-D

Bem, já digo logo que o longa não é lá estas coisas. Tá, não queria dizer isto, mas é fraquinho mesmo. Só que garante um ou outro momento genuinamente divertido e, tendo em vista a péssima expectativa que gerou, surpreendeu bastante. Agora, alguém por favor segure o El Cid, pois esta próxima frase é explosiva: o que salva Operação Babá é justamente… Vin Diesel.

Calma que eu explico. Como o próprio Cidão comentou aqui, parece que é lei em Hollywood: todo ator de produções de ação, em algum momento de sua filmografia, acaba pagando mico numa comediazinha água-com-açúcar. Foi assim com o Schwarzenegger (Um Tira No Jardim de Infância), foi assim com o Stallone (Pare! Senão Mamãe Atira), foi assim com o hilário canastra-mór Chuck Norris (alguém lembra daquela coisa chamada O Defensor, que é exibida praticamente toda semana na Sessão da Tarde?)… O próprio The Rock atuou recentemente em Be Cool: O Outro Nome do Jogo (e salvou a fita, diga-se de passagem). Alguns se adaptam ao gênero e outros não. E Diesel parece ser o cara certo para este tipo de coisa. Sua voz de megafone e seu jeitão truculento garante boas risadas quando o cara, um mariner caído em desgraça, se vê obrigado a realizar tarefas como trocar fraldas. Imaginem este grandalhão, que bate em terroristas todo dia, com medo de uma fraldinha toda borrada! Er, bom, isso aí até eu tenho medo, principalmente depois de um dia, distraidamente, ter atolado minha mão numa fralda suja da minha sobrinha mais nova… Mas isto é outra história. :-D

Bem, vamos ao enredo qualquer nota: o S.E.A.L. Shane Wolfe (Diesel) fracassa numa missão de resgate a um cientista do governo (Tate Donovan, de The O.C.) envolvido no projeto de um programa chamado “O Fantasma”, que ninguém sabe onde está. Algum tempo depois, Shane é designado para proteger os cinco filhos do cientista – a rebelde Zoe (Brittany Snow), o deprimido Seth (Max Thieriot), a maluquinha Lulu (Morgan York), o pentelho Peter e o bebê Tyler – enquanto a mãe dos elementos (Faith Ford) passa alguns dias fora. Claro que a missão de Shane não consiste somente nisso: o tal sistema “O Fantasma” pode estar escondido em algum canto da casa do cientista, e cabe a Shane a missão de encontrá-lo. Concluir sua tarefa e enfrentar os inimigos que estão de olho no negócio não é nada, em comparação ao fato de ter que lidar com a molecada. Como a própria babá romena Helga, interpretada pela ótima comediante Carol Kane, diz assim que Shane chega à casa dos pivetes: “Você tem licença para matar? Pois acredite, seria muito útil aqui!”…

Quanto ao restante do enredo, nem preciso falar. Todo mundo já deve imaginar o que acontece. :-D

Por mais que o roteiro seja bem simplezinho (e o público seja capaz de adivinhar o filme inteiro ainda nos primeiros 15 minutos), poderia render uma fita bem engraçada. Infelizmente, não é o que acontece. A direção tenebrosa de Adam Shankman – diretor dos terríveis A Casa Caiu, O Casamento dos meus Sonhos e Um Amor para Recordar – e o roteiro amador de Thomas Lennon e Robert Ben Garant (de Táxi… SOCORRO!!!) não fazem nada além de utilizar os elementos básicos do gênero sem apresentar novidade alguma. Até mesmo as piadas são velhas, e quando elas aparecem na tela, junto com a risada vem aquela sensação de “Hum, isto já rolou em algum lugar…”. Isto, claro, quando você consegue rir. Por outro lado, os momentos engraçados são realmente inspirados, e geralmente reúnem em cena Vin Diesel e a ótima atriz-mirim Morgan York – aliás, a única criança que se sai bem ali (a piada dos “seios” de Shane é bobinha, mas de rachar o bico!). Até mesmo o promissor pato Gary, que acredita fielmente ser um cão-de-guarda (!!), é desperdiçado. Por outro lado, o animalzinho é o responsável por uma das melhores piadas do filme, por sinal já entregue no trailer.

E por falar em roteiro, tem cada furo que vocês nem imaginam! A história e importância do tal programa “O Fantasma” nunca é explicada; as crianças, até então tidas como “pragas do Egito”, nem são tão revoltadas assim; alguns personagens aparecem e desaparecem sem explicação alguma; e outros, por mais que permaneçam em cena até o final, não têm motivo para estar ali. É o caso da hilária Lauren Graham, a Lorelai de Gilmore Girls (e que esteve nas telonas recentemente no engraçadíssimo Papai Noel às Avessas), cujo papel aqui – no caso, a diretora do colégio – nada tem a acrescentar e serve somente de “apelo romântico” para Shane Wolfe. Um pusta de um desperdício, já que Graham é uma excelente comediante e poderia render bastante ao filme. Os fãs de seriados também vibrarão com a presença pequena-porém-bizarra de Brad Garrett, o irmão do Ray Romano em Everybody Loves Raymond, como o vice-diretor mais do que loser. Boa sacada! Ok, tem a Lorelai e o Robert. Portanto, já vale o ingresso. ;-D

Bem, como todos devem ter sacado, tudo não passa de um grande veículo para Vin Diesel. Não à toa, o cara marca presença em praticamente todos os fotogramas. Conseqüentemente, aqueles que não são chegados ao talento do sujeito detestarão Operação Babá com todas as forças. Não que isto importe: Operação Babá é um daqueles trabalhos que, gostando ou não do ator central, só funcionam mesmo caso a sala de projeção esteja lotada de crianças e pré-adolescentes, que deverão adorar a fita, para te fazer rir com o embalo. Pra resumir, é uma película que, apesar de ter lá suas qualidades, resulta bem fraquinha e lotadíssima de clichês no saldo final, mas funciona que é uma beleza num sabadão à tarde, com muita pipoca e refrigerante. Na verdade, o importante mesmo é que eu saí vivo desta! Bem, o próximo passo agora é tentar convencer o El Cid a assistir, só de sacanagem. Tudo bem, ele certamente cometerá suicídio antes disso. :-P

CURIOSIDADES:

Operação Babá foi criado com o intuito de servir de veículo para o notório Jackie Chan, que pulou fora do projeto por razões não esclarecidas.

• Além de estrelar Everybody Loves Raymond, Brad Garrett é dublador oficial da Disney. Ele trabalhou nas dublagens de Vida de Inseto (1998) e Procurando Nemo (2003), além de uma série de desenhos lançados direto em VHS. É dele também a voz do Big Dog no hilariante seriado animado Dois Cachorros Bobos, que costumava ser exibido pelo Cartoon Network.

THE PACIFIER • EUA/CAN • 2005
Direção de Adam Shankman • Roteiro de Thomas Lennon e Robert Ben Garant
Elenco: Vin Diesel, Lauren Graham, Faith Ford, Brittany Snow, Max Thieriot, Chris Potter, Carol Kane, Morgan York, Brad Garrett, Tate Donovan.
95 min. • Distribuição: Walt Disney Pictures/Buena Vista International.

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2 respostas para Operação Babá

  1. miley leyv disse:

    eu amo operação babá eu to assintimdo é muito legal

  2. mariana disse:

    eu adoro os filmes dele eu acho que são uns dos melhores americanos que sabem fazer filmes
    E apesar disso ele é muito gato

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