Os Esquecidos

Crítica de Cinema – Texto publicado originalmente em A ARCA, em 05/11/2004.

Os Esquecidos (The Forgotten)

Quando vi o primeiro trailer de Os Esquecidos (The Forgotten, 2004), fiquei empolgadaço. Afinal, já sabia mais ou menos do que se tratava, mas não tinha idéia de quão estranho seria o trabalho. O que diabos era aquele pessoal sendo “sugado” para o céu? A partir daí, passei a contar os minutos até a estréia do longa. Só duas coisas me perturbavam: primeiro, o diretor é Joseph Ruben (de O Anjo Malvado e Dormindo com o Inimigo), cujos filmes são, no máximo dos máximos, medianos. Segundo: todo mundo sabe que um trailer não significa nada. O preview pode ser fantástico e o filme, um belo dum abacaxi – o que me fez lembrar automaticamente o caso de Fogo no Céu (1993), que tinha um trailer muito assustador e, na hora do “vamos ver”, deu sono em todo mundo. Aos poucos, me conscientizei de que Os Esquecidos poderia ser uma bomba.

E não é que eu estava errado? Quer dizer, em partes. Os Esquecidos é até meio bacaninha. Tem um clima bem soturno, prende a atenção do público até o final e é divertido. No entanto, falta algo. Sabe comida sem sal? Mais ou menos isso. Mas não se preocupe: não é nada que realmente estrague o longa, o problema é que ficamos esperando muito mais. A impressão que se tem é que o roteirista Gerald Di Pego (responsável por trabalhos como Olhar de Anjo e Fenômeno) ficou com preguiça e escreveu a segunda metade do roteiro de qualquer jeito. Ou talvez tenha sido pressionado pelo estúdio, sei lá. Bem, antes de começar a crítica em si, já vou avisando que tentarei ser o mais superficial possível, pra não entregar nenhum detalhe que possa revelar os rumos da história.

A fantástica Julianne Moore (Magnólia, As Horas e Hannibal) interpreta a editora de livros infantis Telly Paretta, uma mulher em estado de depressão profunda há cerca de 14 meses. O motivo é a morte de seu filho Sam, aos 9 anos, em um acidente de avião. A rotina de Telly resume-se a revirar gavetas, assistir vídeos e folhear álbuns de fotografias do garoto. Seu casamento com Jim Paretta (Anthony Edwards, mais conhecido como o Dr. Greene de ER, incrivelmente envelhecido) está afundando, ela já não trabalha mais e as consultas com o terapeuta Dr. Munce (Gary Sinise, de Olhos de Serpente) não estão adiantando em nada.

O mundo de Telly começa a ruir quando ela é informada de que o filho nunca existiu. Sam, na verdade, seria fruto de um trauma sofrido por ela na mesa de parto, nove anos atrás, quando seu bebê nasceu morto. Ela olha os álbuns e eles estão em branco. Assiste ao vídeo com imagens do garoto e a fita está apagada. Olha o jornal com a notícia do acidente de avião e a notícia deu lugar a outra matéria.

Na tentativa de provar a si mesma que não está enlouquecendo, Telly procura o ex-jogador de hóquei Ash Correll (Dominic West, de Chicago e O Sorriso de Mona Lisa), pai da pequena Lauren, amiga de Sam e também morta no mesmo acidente. E ele diz que nunca foi pai. Quando Ash finalmente revive sua memória e lembra da filha falecida, os dois passam a ser perseguidos por agentes do governo – e eu paro por aqui pra não acabar falando demais.

Apesar de realmente decepcionar um pouco da metade pro final, Os Esquecidos é uma fita que merece ser assistida. É divertido pra caramba, segura legal a atenção da rapaziada e tem O MELHOR SUSTO DO ANO. É sério! Claro que depende muito do volume do som na sala de exibição, mas já se prepara. Os atores estão bem legais, especialmente Julianne Moore, excelente como sempre, Alfre Woodard como a determinada detetive Anne Pope, e o inglês Linus Roache (de A Batalha de Riddick e que será visto em breve como o pai de Bruce Wayne em Batman Begins), intérprete do “homem amigável”, um ator que já está merecendo um papel de destaque em Hollywood há tempos.

No saldo geral, o único problema é o rumo da história. A revelação que cerca todo o mistério é muito boa e dá margem a vários caminhos, mas o roteirista preferiu seguir uma linha moralista e fraca demais. Outro ponto negativo é que os mais atentos matarão a charada antes de quarenta minutos de projeção, e a resolução não recebe o tratamento profundo que merecia. Ao contrário, é vago demais.

Mas na boa: não interfere em muita coisa. Vá, assista, se divirta e leve pelo menos uns três sustos. Só não espere um pusta dum senhor filme de suspense. Os Esquecidos é o típico longa que você assiste, sai do cinema, esquece que viu e a vida continua. Sim, o trailer é bem melhor que o trabalho em si. Mas e daí? Ninguém é perfeito mesmo. E se alguém aí está interessado em saber o final, manda um x-mail pro seu Zarko aqui. Eu adoro contar finais de filmes! Hehehe…

CURIOSIDADES:

• O papel de Julianne Moore foi oferecido inicialmente a Nicole Kidman, que preferiu interpretar a papa-feto do ainda inédito Reencarnação (2004).

• O ator Dominic West fez uma pontinha em Star Wars – Episódio I: A Ameaça Fantasma como um guarda de palácio, mas será eternamente lembrado por pagar o maior mico num pequeno papel naquele filme de terror chamado Spice World – O Mundo das Spice Girls (1997). É, o passado condena.

Os Esquecidos custou US$ 42 milhões, e rendeu pouco mais de US$ 60 milhões nos States.

THE FORGOTTEN • EUA • 2004
Direção de Joseph Ruben • Roteiro de Gerald Di Pego
Elenco: Julianne Moore, Dominic West, Linus Roache, Alfre Woodard, Gary Sinise e Anthony Edwards.
96 min. • Distribuição: Columbia Pictures.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: